A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) anunciou na sexta-feira (29) que a bandeira tarifária para setembro será vermelha, patamar 2, com cobrança adicional de R$ 7,877 a cada 100 quilowatts-hora (kWh). O comunicado foi divulgado um dia antes da data de hoje, 30 de agosto de 2025.
Trata-se do mesmo nível aplicado na fatura de agosto e representa o segundo acionamento desse patamar desde outubro de 2024. Setembro marca o quinto mês consecutivo em que os consumidores enfrentam cobrança extraordinária na conta de luz. Na conta de agosto, consumidores também chegaram a receber o Bônus de Itaipu, que resultou em desconto médio de R$ 11,59 nas faturas.
A Aneel justificou a manutenção da bandeira vermelha 2 pela persistente queda na afluência aos reservatórios das hidrelétricas em todo o país, o que reduz a geração hidráulica e obriga o uso de termelétricas, cuja energia é mais cara. Esses custos adicionais são repassados ao consumidor por meio do sistema de bandeiras tarifárias.
Nos meses recentes houve variações: em maio vigorou a bandeira amarela, com acréscimo de R$ 1,885 por 100 kWh; em junho e julho a bandeira foi vermelha, patamar 1, com custo extra de R$ 4,463 por 100 kWh. A Aneel também informou que as tarifas foram recalculadas nos últimos meses: a bandeira amarela foi reduzida de R$ 2,989 para R$ 1,885 (queda de 36,9%); a vermelha 1 passou de R$ 6,500 para R$ 4,463 (redução de 31,3%); e a vermelha 2 caiu de R$ 9,795 para R$ 7,877 (diferença de 19,6%).
Economistas e a própria reguladora têm apontado o efeito dessas elevações sobre a inflação: o aumento de 3,01% no item energia elétrica residencial foi o subitem com maior contribuição positiva para o IPCA-15 de julho, adicionando 0,12 ponto percentual ao índice.
O sistema de bandeiras, em operação desde 2015, foi criado para sinalizar ao consumidor os custos reais de geração e também para amortecer o impacto financeiro sobre as distribuidoras. Diante do cenário hidrológico apontado pela Aneel e do acionamento mais frequente de usinas termelétricas, a perspectiva é de que os consumidores da região de Ribeirão Preto continuem a observar acréscimos nas próximas faturas enquanto persistir a baixa nos níveis dos reservatórios.