Após flagrar atividade sobre gênero em escola, presidente da Câmara pede punição à diretora e aciona prefeito

A medida ocorre após o parlamentar receber denúncias em seu gabinete e por meio de suas redes sociais, como Instagram e WhatsApp, feitas por pais

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Nando Medeiros
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Após flagrar atividade sobre gênero em escola, presidente da Câmara pede punição à diretora e aciona prefeito

O presidente da Câmara Municipal de Ribeirão Preto, vereador Isaac Antunes (PL), irá oficiar o prefeito Ricardo Silva solicitando a apuração dos fatos e a aplicação de medidas administrativas contra a diretora da Escola Municipal de Ensino Fundamental “Professor Anísio Teixeira”, no bairro Jardim Iguatemi.

A medida ocorre após o parlamentar receber denúncias em seu gabinete e por meio de suas redes sociais, como Instagram e WhatsApp, feitas por pais inconformados com atividades realizadas dentro da unidade escolar.

Durante visita de fiscalização, Isaac Antunes constatou que alunos, com idades entre 13 e 14 anos, estavam nas dependências da escola fora do horário regular de aula (contraturno), sem supervisão adequada e, segundo relato, sem autorização expressa dos pais ou responsáveis.

De acordo com o vereador, os próprios estudantes indicaram que participavam da atividade sem que seus responsáveis tivessem conhecimento de sua permanência na escola naquele período, o que levanta questionamentos sobre a segurança, o controle e a responsabilidade da unidade escolar.

Durante a visita, o parlamentar também afirmou ter identificado a produção de cartazes com conteúdos relacionados a temas como identidade de gênero, diversidade e sexualidade.

Entre os materiais, estavam frases como “Seu ódio não derrota as nossas cores”, “Mulher trans é mulher, homem trans é homem” e “Meu sapatão pisa na sua homofobia”, além de referências à sigla LGBT e mensagens de afirmação de identidade.

Segundo Isaac, a atividade teria sido autorizada pela direção da escola, inclusive com permissão para fixação dos materiais nas dependências da unidade.

“O que mais preocupa é a ausência de controle e a falta de transparência com as famílias. Os pais sequer sabiam onde seus filhos estavam. Além disso, o conteúdo trabalhado ultrapassa o papel da escola. A educação deve focar no ensino e na formação cidadã, sem a introdução de conteúdos ideológicos”, afirmou.

O episódio ocorre em meio ao debate recente sobre o Plano Municipal de Educação (PME), aprovado pela Câmara, no qual foram retirados trechos que faziam referência a conteúdos de gênero e sexualidade.

Isaac Antunes foi o autor das emendas que resultaram na exclusão desses conteúdos do plano. Segundo o parlamentar, não há previsão no Plano Municipal de Educação para a realização de atividades dessa natureza dentro das escolas da rede municipal.

“A cobrança que estamos fazendo ao prefeito é justamente nesse sentido: o cumprimento do Plano Municipal de Educação. Não há previsão para esse tipo de abordagem. Fomos claros ao retirar esses conteúdos do plano, e isso precisa ser respeitado”, destacou.

O vereador informou que irá formalizar o caso junto ao Executivo, solicitando investigação e eventual responsabilização da direção da unidade.

O caso reacende o debate sobre os limites das práticas pedagógicas nas escolas públicas, a responsabilidade das instituições e o papel das famílias na formação dos estudantes.

A Câmara Municipal seguirá acompanhando o tema.