Um projeto desenvolvido por alunos e professoras da Escola Estadual Professor Sebastião de Oliveira Rocha, em São Carlos, conquistou reconhecimento internacional ao ser premiado no International Creativity and Innovation Award (ICIA) 2026, no Camboja. A iniciativa, criada pelo clube Tesla da unidade de ensino integral, transforma resíduos orgânicos em biogás e biofertilizante por meio de um biodigestor de baixo custo.
O equipamento utiliza a degradação anaeróbica da matéria orgânica para gerar dois produtos úteis: um fertilizante líquido aplicado na agricultura e gás que pode ser aproveitado para cocção ou geração de energia. A principal inovação do grupo foi reduzir significativamente o custo de construção do biodigestor, aproximadamente R$ 320 contra cerca de R$ 15 mil dos modelos comerciais, sem perder a funcionalidade.
Testes do protótipo já ocorreram na própria escola, em uma residência de estudante e em um assentamento rural da região, onde o biofertilizante tem sido aplicado em cultivos de bananeira com resultados iniciais positivos. Os coordenadores do projeto também planejam automatizar o sistema, incluindo monitoramento de pH, controle térmico e sensores para prevenir vazamentos.
A apresentação internacional foi possível após articulação com pesquisadores da Universidade Federal de São Carlos e apoio de redes de inovação. A delegação escolar viajou ao Camboja no fim de abril com duas estudantes representantes e professoras que coordenam o clube. No evento, a equipe recebeu medalha e certificado, além de realizar intercâmbios com estudantes de países como Filipinas, México e Japão.
A participação contou com financiamento da Finep e apoios locais, incluindo a Prefeitura de São Carlos e parceiros privados, que cobriram despesas da viagem. Segundo as professoras envolvidas, o objetivo do projeto vai além dos prêmios: há planos de publicar um manual e um site com instruções para que a tecnologia seja replicada sem fins lucrativos.
Na escola, a tecnologia integra uma estratégia maior de educação ambiental que reaproveita resíduos gerados pelos cerca de 700 estudantes, desde composteiras que alimentam a horta até campanhas para reduzir o desperdício no refeitório. Professores relatam que a experiência com pesquisa e competições científicas também tem impulsionado a formação acadêmica de ex-alunos, muitos dos quais seguiram para cursos de engenharia e áreas relacionadas.
Com a visibilidade internacional, a equipe do clube Tesla espera ampliar a adoção da solução em comunidades rurais e urbanas, reforçando a ideia de que soluções sustentáveis e acessíveis podem nascer dentro da rede pública de ensino.