O Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Outras Drogas (CAPS II AD) de Ribeirão Preto completou 29 anos nesta semana e comemorou a data com a “Olimpíada entre CAPS”, evento que reuniu atividades recreativas e culturais como dama, dominó, oficinas de pintura e gincanas entre usuários e profissionais.
Segundo a coordenação de Saúde Mental, Álcool e Outras Drogas, liderada pelo psicólogo Marcus Vinícius Santos, o serviço registrou 12.418 atendimentos apenas desde janeiro de 2025 e cerca de 70 mil atendimentos nos últimos cinco anos. Santos destacou que há um aumento consistente de novos casos desde 2020, o que motivou ajustes na rotina da unidade para ampliar o acesso ao tratamento.
Para atender à demanda, o CAPS passou a funcionar até as 21h nas segundas e quartas-feiras; nas terças e sextas o atendimento permanece das 8h às 18h. A unidade atende pessoas a partir de 18 anos com sofrimento psíquico intenso relacionado ao uso de álcool e outras drogas e conta com equipe multidisciplinar — médicos psiquiatras e clínicos, psicólogos, terapeutas ocupacionais, enfermeiros, assistentes sociais, educadores físicos e oficineiros.
A maioria dos pacientes acompanhados pelo serviço é do sexo masculino, com idades entre 30 e 50 anos. Apesar dos avanços na oferta e na organização do atendimento, a equipe ressalta que o estigma continua sendo a principal barreira: estima-se que dois terços das pessoas com transtornos mentais não procuram tratamento, muitas vezes por falta de informação ou receio do julgamento social.
O CAPS II AD fica na Rua Pará, 1310, bairro Ipiranga, e realiza acolhimento por demanda espontânea nos horários citados. Inaugurado em 1996 em parceria com a Associação Vicente de Paulo, o serviço foi um dos primeiros no país voltados ao cuidado de pessoas com problemas relacionados ao uso de substâncias, atuando inicialmente como NAPS-f, e, em 2002, passou a integrar oficialmente a rede de atenção psicossocial do Ministério da Saúde.