Desde 2017, o coletivo Samba da Opinião atua em Ribeirão Preto reunindo compositores e intérpretes em torno do samba autoral e de uma proposta que mistura memória, identidade e engajamento social. Formado atualmente por 11 integrantes, o grupo funciona de maneira horizontal e busca fortalecer o papel do compositor na cena local, segundo um dos idealizadores, o compositor Mano Regis, que diz ter se inspirado no histórico Show Opinião de 1964.
Uma das iniciativas regulares do coletivo é o Samba no Relógio, encontro quinzenal ocorrido à noite nas imediações do relógio da Praça XV, no Centro. O local foi escolhido também por seu passado marcado por segregação social; para os participantes, ocupar o espaço com música e encontro representa um gesto de ressignificação histórica. Além das apresentações públicas, o grupo realiza ações em instituições, como apresentações na Fundação Casa, e atua em comunidades com projetos de caráter social.
O Samba da Opinião conta com apoio do Centro Cultural Palace, que disponibiliza banheiros ao público durante os eventos, e com a Biblioteca Sinhá Junqueira, que auxilia no armazenamento de instrumentos. Ainda assim, despesas como limpeza, combustível para gerador e equipamentos de som são arcadas pelo próprio coletivo, que recebe contribuições via Pix para ajudar na manutenção das atividades.
Membros como o multi-instrumentista Filipe Cardoso e o percussionista Marlon dos Reis destacam a importância do grupo para a preservação e renovação do samba na cidade. Cardoso ressalta que o coletivo leva música a públicos que, muitas vezes, têm pouco acesso a apresentações ao vivo; Marlon enfatiza a responsabilidade de transmitir identidade e opinião sem preconceitos.
Entre os planos anunciados pelo Samba da Opinião estão a montagem de um espetáculo que conte a trajetória do grupo, a ampliação das apresentações fora de Ribeirão Preto e a gravação de novos trabalhos autorais.