Expansão do SUPERA Parque com R$11,9 milhões cria 67 lotes e estrutura oportunidades para startups, parcerias acadêmicas e financiamento regional.
Visão geral da expansão: R$11,9 milhões e 67 lotes
A decisão está tomada e abre um novo ciclo para a inovação regional: a Universidade de São Paulo (USP), em convênio com a Prefeitura de Ribeirão Preto e a gestora FIPASE, destinou R$ 11.891.567,43 para uma nova etapa de urbanização do SUPERA Parque. O projeto prevê a criação de 67 lotes para empresas de base tecnológica, organizando cerca de 70 mil m² de área útil pronta para receber negócios inovadores.
O investimento contempla implantação de sistema viário, redes de água e esgoto, galerias pluviais, rede elétrica e iluminação pública. Em outras palavras, transforma um terreno em um ambiente preparado para operação empresarial, dentro de padrões técnicos e regulatórios compatíveis com empresas de P&D e tecnologia.
O cronograma indica licitação com sessão marcada para 31 de março de 2026 e prazo estimado de execução de aproximadamente nove meses após contratação. O cenário aponta para uma nova fronteira de ocupação a partir de 2027, com capacidade ampliada para receber startups e empresas tecnológicas. Hoje, os lotes urbanizados já estão 100% ocupados, sinal de um ecossistema maduro que pede espaço para crescer.
Para empreendedores e investidores, isso representa acesso a novas áreas, conexão direta com pesquisa acadêmica e infraestrutura dedicada a inovação. Esse conjunto acelera P&D, validação de produtos e entrada em novos mercados.
O SUPERA ocupa área contígua ao campus da USP Ribeirão Preto, reúne incubadora, centro de tecnologia, container park e estruturas específicas para empresas de saúde, agro e TIC. O ecossistema já soma mais de cem iniciativas ativas, o que gera uma rede de fornecedores, talentos e parceiros técnicos que fortalece cada novo projeto que chega ao parque.
Como o recurso será usado na prática
O aporte de R$ 11,9 milhões tem destino claro: urbanização da nova área do SUPERA. O plano inclui rede viária e infraestrutura básica, sistemas hidrossanitário e elétrico, drenagem e iluminação. Esses itens garantem acessibilidade, segurança operacional e conformidade ambiental para as empresas que ocuparão os 67 lotes.
Na prática, o desenho urbano busca acomodar desde estruturas de menor porte, como laboratórios modulares e containers, até edificações industriais e laboratórios com demandas técnicas específicas, como exaustão dedicada, salas limpas ou áreas com requisitos de biossegurança.
A governança do projeto segue o modelo de licitação pública, com sessão prevista para 31/03/2026, financiada com recursos da própria USP. Essa configuração aproxima universidade, gestor e poder público. Também favorece o alinhamento entre política científica, desenvolvimento econômico e planejamento urbano do parque.
A FIPASE, na condição de gestora, coordena uso e ocupação da área, define prioridades técnicas, organiza o acesso a serviços de apoio e orienta a distribuição dos lotes conforme critérios de impacto para o ecossistema.
Entre as prioridades esperadas estão: lotes próximos a estruturas já consolidadas (incubadora, container park, centro de tecnologia), preparação de áreas para laboratórios multiusuário com requisitos de biossegurança e infraestrutura compatível com acreditações como INMETRO, além de espaços logísticos que incentivem projetos colaborativos.
Em síntese, o investimento não se limita ao solo. Ele cria uma camada mínima de operacionalidade que reduz barreiras de entrada para empresas científicas e tecnológicas e torna viável a instalação de operações complexas em um prazo mais curto.
Perfil das empresas-alvo e setores prioritários
O SUPERA apresenta um posicionamento definido: atrair empresas de base tecnológica que utilizam ciência de fronteira e precisam de proximidade com centros de pesquisa. Historicamente, o parque se destaca em quatro grandes eixos: biotecnologia (biotech), agroindústria e agritech, healthtech (tecnologias em saúde) e TIC (tecnologias de informação e comunicação).
Esses setores combinam vocações da região de Ribeirão Preto, expertise acadêmica e infraestrutura laboratorial já disponível. Assim, o parque se torna particularmente estratégico para soluções em saúde, agro, alimentos, análises laboratoriais, software e hardware embarcado, entre outras frentes.
Os principais beneficiários incluem startups em estágio inicial, pequenas e médias empresas tecnológicas em fase de expansão e spin-offs universitários que buscam validação técnica, infraestrutura e conexões comerciais. A incubadora, os condomínios de inovação e o Container Park abrigam negócios em múltiplas fases, da ideia com protótipo inicial até empresas em escala com carteira de clientes.
Essa diversidade permite que equipes encontrem caminhos distintos dentro do mesmo ecossistema: algumas focam acesso a equipamentos e laboratórios; outras buscam mentoria, apoio de gestão e programas de aceleração; e há ainda empresas que já ingressam em fase de crescimento e priorizam proximidade com a USP e com mão de obra qualificada.
Um exemplo concreto é a BIOSAB, startup incubada no SUPERA que obteve aprovação na Fase 2 do PIPE/FAPESP para desenvolver tecnologia em biotecnologia aplicada à produção de leveduras cervejeiras. O caso mostra como pesquisas de alto nível podem se transformar em negócios com potencial industrial, combinando suporte de incubação, acesso a fomento e ambiente propício à experimentação.
Para investidores e estudantes, esse perfil de empresas sinaliza oportunidades em negócios com base científica sólida e mercados em crescimento.
Infraestrutura disponível e facilidades no parque
Mesmo antes da nova expansão, o SUPERA já oferece uma infraestrutura que rivaliza com grandes polos tecnológicos. O parque conta com prédios preparados para laboratórios, incubadora de empresas, Centro de Tecnologia com acreditação INMETRO, conjunto modular do Container Park (inaugurado em 2024) e projetos estruturantes, como o Health to Business Center. Este último prevê 2.600 m², laboratório multiusuário e auditório para eventos técnicos e corporativos.
Assim, o ambiente suporta desde atividades de prototipagem e testes iniciais até produção em pequena escala, ensaios acreditados e validações regulatórias mais complexas.
Entre os serviços e facilidades disponíveis, destacam-se:
• Espaços de convivência e auditórios que estimulam networking, lançamentos e demonstrações tecnológicas;
• Infraestrutura para laboratórios, com bancadas, áreas com controle ambiental e possibilidade de calibração e ensaios no Centro de Tecnologia;
• Conectividade, apoio administrativo e articulação institucional via FIPASE e Agências de Inovação;
• Serviços complementares, como cafeteria, salas de treinamento e módulos em containers para operações rápidas ou projetos-piloto.
Com a chegada dos novos 67 lotes e a implantação de redes elétricas, iluminação e drenagem, empresas com consumo elevado de energia, requisitos sanitários rigorosos ou necessidades específicas de layout ganham condições mais seguras para planejar suas instalações.
Para empreendedores, isso significa menor gasto com infraestrutura básica e menos incerteza técnica no início da operação. Para investidores, representa prazos mais curtos entre o investimento, a instalação da empresa e a consolidação de marcos tecnológicos e comerciais.
Parcerias com USP, Univesp e centros de pesquisa
Um dos grandes trunfos do SUPERA é sua conexão orgânica com a USP Ribeirão Preto e outras instituições de ensino e pesquisa. O convênio firmado entre USP, Prefeitura e FIPASE estabelece governança compartilhada e direciona investimentos, inclusive o aporte de R$ 11,9 milhões para expansão. Isso garante alinhamento entre a produção científica da universidade e as demandas de inovação do tecido produtivo.
Essa integração torna mais simples firmar contratos de pesquisa, estruturar projetos cooperativos e negociar o uso compartilhado de laboratórios universitários por empresas instaladas no parque.
Entre os mecanismos de colaboração estão: incubação de spin-offs acadêmicos, coorientação de projetos em que startups recebem acompanhamento de docentes e pesquisadores, uso de laboratórios multiusuário – como os previstos no Health to Business Center – e organização de eventos científicos e tecnológicos que aproximam estudantes de oportunidades empreendedoras.
Essa dinâmica cria uma via de mão dupla. Pesquisadores encontram um ambiente para transformar resultados em produtos, serviços e empresas. Empreendedores acessam conhecimento técnico, ensaios avançados e talentos qualificados, reduzindo riscos nas fases mais sensíveis de desenvolvimento.
A articulação com plataformas de educação a distância e polos regionais, como os da Univesp, tende a ampliar o fluxo de profissionais capacitados em tecnologia, gestão e engenharia. Isso fortalece o parque como polo formador de talentos e como destino natural para estágios, projetos integradores e programas de formação continuada.
Em resumo, a combinação de espaço físico, governança entre universidade e poder público e instrumentos práticos de cooperação universitária-empresa acelera a transferência de tecnologia e cria oportunidades de projetos financiados por recursos públicos e privados.
Programas de fomento e fontes de financiamento
Nenhum ecossistema de inovação se sustenta sem acesso a capital de risco e fomento à pesquisa. No SUPERA, o diálogo com as principais fontes de financiamento para P&D e empreendedorismo já produz resultados concretos. A BIOSAB, por exemplo, avançou para a Fase 2 do Programa PIPE/FAPESP, etapa que apoia desenvolvimento tecnológico com foco em aplicação no mercado.
O PIPE/FAPESP se destaca como linha essencial para startups e PMEs com forte componente de pesquisa. Em paralelo, empresas do parque costumam acessar agências federais e estaduais, linhas de crédito para inovação, programas de aceleração e apoio do Sebrae para gestão e acesso a mercado.
Entre os caminhos de financiamento mais utilizados por empresas de P&D, destacam-se:
• FAPESP (Programa PIPE, bolsas e editais temáticos);
• FINEP (financiamento e subvenção para inovação);
• BNDES (linhas específicas para inovação e investimento produtivo);
• Sebrae (capacitação, consultorias e programas de acesso a mercado);
• Programas estaduais e municipais, além de parcerias diretas com USP e FIPASE.
Uma estratégia eficiente combina editais de pesquisa – como PIPE – para viabilizar desenvolvimento tecnológico, com linhas de crédito para infraestrutura, equipamentos e capital de giro. Em paralelo, parcerias industriais podem apoiar testes de campo, projetos-piloto e contratos de fornecimento.
A estrutura do SUPERA, com sua incubadora e rede de relacionamentos, facilita o mapeamento dessas oportunidades e o preparo de propostas competitivas em chamadas públicas e privadas.
Oportunidades e obstáculos para startups locais
Ribeirão Preto e região vivem um momento especialmente favorável para quem empreende com base em tecnologia. A maturidade do SUPERA, a presença da USP, a articulação com o poder público e, agora, a previsão de 67 novos lotes formam um ambiente fértil para o surgimento e a atração de startups.
As vantagens competitivas incluem custos operacionais mais baixos em comparação com grandes capitais, acesso a pesquisa de ponta em saúde, biotecnologia e agronegócio, além de redes locais de empresas, hospitais, produtores e indústrias que funcionam como laboratórios vivos para validação de soluções.
No entanto, o caminho não se mostra isento de obstáculos. Setores regulados, como saúde e biotecnologia, exigem atenção a normas sanitárias, certificações e registros de produtos, o que pode alongar prazos e ampliar custos. A contratação de pessoal qualificado depende da capacidade regional de formação, retenção de talentos e oferta de programas de capacitação contínua.
Outro desafio está na expansão comercial. Muitos modelos de negócios exigem redes de distribuição, canais de venda e parcerias industriais nacionalizadas ou até internacionais, que nem sempre se resolvem dentro do ecossistema local. Além disso, projetos intensivos em equipamentos caros ou com exigências rigorosas de biossegurança demandam planejamento cuidadoso de investimento inicial ou cooperação com laboratórios multiusuário.
Para mitigar esses pontos, recomenda-se:
- Estruturar desde o início um plano de compliance regulatório e apoio jurídico especializado;
- Planejar programas de estágios, bolsas e cooperação com a USP, de modo a formar e reter talentos;
- Combinar recursos de P&D com alianças industriais que apoiem pilotos, validação em escala e contratos de fornecimento.
Casos como o da BIOSAB evidenciam que, com acesso a fomento adequado e ao ambiente de incubação, startups locais conseguem avançar para etapas de validação robustas e atrair recursos relevantes.
Roteiro prático para se instalar no SUPERA
Para quem deseja transformar ideia em negócio dentro do SUPERA, ou expandir uma operação já existente, o caminho se torna mais acessível quando organizado em etapas claras. A seguir, um roteiro prático alinhado à realidade atual do parque e à expansão anunciada:
- Pesquisa inicial e alinhamento de perfil
• Acesse o site oficial do SUPERA e conheça as modalidades de instalação: incubação, condomínios de inovação, módulos em container e lotes para construção própria.
• Verifique se o modelo de negócio exige laboratório, escritório, área fabril ou combinação dessas estruturas. - Seleção de lote e modalidade
• Defina se a melhor porta de entrada é a incubadora (para startups nascentes), módulos em container (para operação rápida e enxuta) ou lote construtível (para quem precisa de planta própria).
• A expansão dos 67 lotes seguirá editais e políticas internas de alocação, definidos por USP, Prefeitura e FIPASE. - Acompanhamento do edital e licitação
• Para uso de lotes, acompanhe editais e comunicados da gestão.
• A urbanização depende de licitação pública; após a conclusão das obras, ocupação e regras específicas de uso dos lotes serão detalhadas pela gestão do parque. - Documentação e requisitos básicos
• Organize contrato social, cadastro fiscal, certidões e documentação societária.
• Elabore plano de negócios e, quando necessário, projeto técnico das instalações.
• Prepare declarações de conformidade ambiental e, para empresas de saúde ou biotecnologia, plano de biossegurança ou estratégia para uso de laboratórios multiusuário. - Infraestrutura necessária e checklist técnico (exemplo mínimo)
• Dimensionamento de energia elétrica e pontos de água e esgoto;
• Acesso rodoviário adequado à logística prevista;
• Conectividade de internet compatível com a operação;
• Plano de manejo de resíduos, sobretudo em atividades laboratoriais;
• Documentação de segurança do trabalho e prevenção de riscos.
• Nesse período, use serviços, laboratórios e espaços compartilhados do parque para acelerar P&D enquanto adapta ou constrói a infraestrutura definitiva. - Recursos de apoio e fomento
• Estruture propostas para programas como PIPE/FAPESP (P&D), FINEP e BNDES (investimento e inovação) e Sebrae (gestão e mercado).
• Busque suporte da Agência USP de Inovação, da incubadora e da FIPASE para aprimorar projetos e aumentar a competitividade das submissões. - Integração com universidade e parceiros
• Estabeleça contatos com grupos de pesquisa da USP alinhados à tecnologia da empresa.
• Busque acordos de cooperação, coorientação de projetos, estágios e pesquisas aplicadas.
• Participe de eventos, meetups e programas do parque para construir rede de parceiros, mentores e potenciais clientes. - Operação e escalonamento
• Utilize os primeiros meses para validar tecnologia com clientes locais, ajustar produto e registrar evidências de desempenho.
• Planeje marcos técnicos e comerciais que sirvam como base para próximas rodadas de investimento, editais ou contratos industriais.
• Reavalie infraestrutura, equipe e governança à medida que a empresa cresce, sempre aproveitando os recursos do ecossistema.
Checklist resumido (prioridades): documentação legal organizada, projeto técnico compatível com as exigências do parque, requisitos de biossegurança (quando aplicável), fontes de financiamento mapeadas, plano de integração com a USP e estratégia clara de clientes e pilotos.