Familiares dizem que pintor em surto foi agredido por PMs em Morro Agudo; prefeitura e polícia investigam

No boletim de ocorrência, os policiais disseram que foram acionados porque o pintor estaria ameaçando três mulheres e que ele teria investido contra a equipe ao deixar o endereço

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Nando Medeiros
· 2 minutos de leitura
Familiares dizem que pintor em surto foi agredido por PMs em Morro Agudo; prefeitura e polícia investigam

Familiares de um pintor agredido por policiais militares em Morro Agudo relataram que o homem vinha apresentando episódios de surto nas semanas anteriores e contestaram a força empregada pelos agentes durante a abordagem registrada em vídeo. As declarações foram prestadas por irmãos da vítima, que afirmaram também ter tentado sem sucesso internação em serviços de saúde locais.

Segundo a empregada doméstica Maria de Lourdes Ribeiro Montalvão e o autônomo José Roberto Montalvão, o comportamento do irmão mudou há mais de 25 dias: ele teria falado de forma desconexa e se mostrado desorientado, a ponto de não conseguir trabalhar. A família diz ter procurado unidades de saúde para obter atendimento e, possivelmente, internação, mas foi informada da necessidade de documentos e exames que, segundo afirmam, impediram o acolhimento imediato.

O vídeo compartilhado por moradores mostra o pintor caminhando em círculos na Rua Sílvio Bruza, proferindo xingamentos. Quando uma viatura passou, ele direcionou ofensas aos policiais e as imagens exibem um dos agentes descendo do carro, acertando-o com tapa e chute, além de segurar o homem pelo pescoço. Em seguida, a vítima cai ao chão e recebe socos; outro policial aparece usando um bastão. Depois da ocorrência, o homem foi levado a um hospital da cidade, recebeu pontos na cabeça e, após alta, foi encaminhado à delegacia de São Joaquim da Barra.

No boletim de ocorrência, os policiais disseram que foram acionados porque o pintor estaria ameaçando três mulheres e que ele teria investido contra a equipe ao deixar o endereço. Conforme o registro, diante da resistência, os agentes relataram uso de força moderada, algemas, bastão tonfa e socos. A ocorrência foi registrada como desobediência e desacato.

A Secretaria da Segurança Pública do Estado informou que a Polícia Militar analisa as imagens e a conduta dos profissionais para adoção das medidas administrativas e legais cabíveis, ressaltando que a corporação não compactua com excessos. A Polícia Civil abriu investigação e deverá ouvir envolvidos e testemunhas para esclarecer as circunstâncias da abordagem.

A família, por sua vez, condenou a ação e pediu apuração rigorosa, ressaltando a necessidade de atendimento de saúde mental na cidade. Até a publicação desta matéria não havia informações sobre a responsabilização dos agentes nem sobre encaminhamentos médicos adicionais para a vítima.