FCFRP inaugura laboratório para tratar resíduos radioativos e deve começar a operar ainda em janeiro

O método adotado prioriza a recuperação do solvente, o tolueno, por meio de destilação e purificação, permitindo sua reutilização em cadeias produtivas

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Nando Medeiros
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FCFRP inaugura laboratório para tratar resíduos radioativos e deve começar a operar ainda em janeiro

A Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto (FCFRP-USP) inaugurou um laboratório dedicado ao tratamento de resíduos gerados por líquidos de cintilação, usados em pesquisas científicas e em medicina nuclear. A unidade é a primeira no país com espaço exclusivo para processar misturas de solventes orgânicos e radioisótopos, e deve iniciar operações ainda neste mês de janeiro de 2026.

O novo laboratório, instalado na Central de Gerenciamento de Resíduos Químicos, Multiusuário (CGRQ-Multi/FCFRP), ocupa 55 m² e foi adaptado para receber materiais radioativos vindos de outras unidades da USP e de instituições externas. A previsão é que o processamento local reduza a quantidade de rejeitos encaminhados ao Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen), em São Paulo.

O método adotado prioriza a recuperação do solvente, o tolueno, por meio de destilação e purificação, permitindo sua reutilização em cadeias produtivas. Segundo os responsáveis pelo projeto, o procedimento separa o solvente dos demais componentes por vaporização e condensação sucessivas, resultando em tolueno ultrapuro e em uma borra radioativa com redução de volume superior a 90% em relação ao material original.

A fração concentrada de material radioativo seguirá para armazenamento definitivo sob responsabilidade da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN). Já o tolueno recuperado poderá ser reaplicado em processos industriais e laboratoriais, inclusive na própria preparação de líquido de cintilação, diminuindo a necessidade de compra de reagentes novos.

O espaço foi equipado com infraestrutura de segurança específica: instalações elétricas antiexplosão, bancadas e piso impermeáveis, sistema de contenção de derramamentos, 50 pontos de exaustão com filtros de carvão ativado e circulação de ar forçada. A adequação física recebeu recursos da FCFRP por meio da Reserva Técnica Institucional (RTI) e da Fapesp, somando cerca de R$ 500 mil; os sistemas de destilação foram custeados pela Reitoria da USP.

O projeto contou com a coordenação do químico Danilo Vitorino dos Santos e o apoio de professoras e especialistas em proteção radiológica e energia nuclear da USP. A unidade está em processo de licenciamento ambiental e, após a liberação, começará a operar para tratar resíduos que, até então, precisavam ser encaminhados integralmente a centros especializados em São Paulo.