O leilão da concessão do Lote Rota Mogiana, realizado pelo Governo de São Paulo na B3, foi arrematado pelo consórcio Rota Mogiana, que ofereceu R$ 1,08 bilhão de outorga fixa ao Estado. O valor representa ágio de 187% sobre o mínimo estabelecido e superou propostas de outras três concorrentes. A nova concessionária terá a responsabilidade pela operação, manutenção e ampliação do conjunto rodoviário pelos próximos 30 anos, com início previsto para julho de 2026, quando vence o atual contrato da Renovias.
O projeto abrange 520 km e prevê investimentos de R$ 9,4 bilhões ao longo do prazo contratual. Entre as obras previstas estão duplicações (mais de 217 km), implantação de terceiras faixas (138 km), 86 km de vias marginais, contornos urbanos, acostamentos, passarelas e ciclovias. Trechos citados como prioritários incluem a SP-350 (Casa Branca–São José do Rio Pardo), SP-344 (São João da Boa Vista–Vargem Grande do Sul), SP-333 e SP-338 (Mococa–Cajuru), SP-340 (Mococa–divisa com MG) e a SP-107 (Santo Antônio de Posse–Artur Nogueira). Em Águas da Prata está prevista duplicação até a divisa com Minas e a construção de um novo contorno na SP-342 para retirar o tráfego pesado do centro.
A mudança contratual também prevê revisões tarifárias imediatas em diversas praças: Jaguariúna terá redução de até 29%; Águas da Prata, 27%; Estiva Gerbi, 26%; Espírito Santo do Pinhal e Itobi, 20%; Casa Branca, 13%; Mococa, 9%; e Aguaí, 5%. Segundo o governo, a padronização reduzirá o valor por quilômetro e trará “maior justiça tarifária” aos usuários.
O pacote de intervenções deverá beneficiar cerca de 2,3 milhões de pessoas em 22 municípios da região, entre eles Campinas, Ribeirão Preto, Jaguariúna, Limeira, Mococa e Mogi Guaçu, e tem potencial estimado para gerar aproximadamente 11 mil empregos diretos e indiretos. O governo e representantes do consórcio enfatizaram que as obras irão melhorar a fluidez do tráfego, reduzir tempos de viagem e facilitar o escoamento da produção agrícola e industrial da região.
O escopo final incorporou ajustes resultantes de consultas públicas: foram adicionadas 58 passarelas, 129 dispositivos de interseção e vias locais, além de intervenções de segurança como barreiras, melhorias na sinalização, iluminação e equipamentos sonoros em trechos de maior movimento. As propostas recebidas durante a fase de licitação, 284 contribuições, foram consideradas pela Secretaria de Parcerias em Investimentos e pela Artesp, segundo os responsáveis pelo edital.
Com a expectativa de início de operação do novo contrato em julho, autoridades destacaram que o modelo buscou resolver gargalos históricos da malha viária e reforçar a integração do corredor que liga a Região Metropolitana de Campinas a Ribeirão Preto e municípios próximos à divisa com Minas Gerais.