A campanha Março Roxo chama a atenção para a importância do diagnóstico precoce, do tratamento adequado e da redução do estigma em torno da Epilepsia, uma das condições neurológicas mais comuns no mundo.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde, cerca de 50 milhões de pessoas vivem com epilepsia globalmente. No Brasil, estima-se que aproximadamente 2% da população conviva com a doença, o que reforça a necessidade de ampliar o acesso à informação e à assistência médica.
A epilepsia é caracterizada por crises recorrentes causadas por descargas elétricas anormais no cérebro. Essas manifestações variam de acordo com a área afetada e nem sempre envolvem convulsões. “A forma mais conhecida é a crise convulsiva, com perda de consciência e movimentos involuntários, mas existem outras que muitas vezes passam despercebidas”, explica a neurologista Aline Vidal.
Sinais de alerta
Entre os sintomas que podem indicar a presença da doença estão:
- episódios de desconexão do ambiente;
- movimentos repetitivos involuntários, como mastigar ou mexer nas mãos;
- sensações incomuns, como cheiro inexistente ou déjà vu;
- confusão ou desorientação súbita;
- perda repentina de força muscular, que pode causar quedas.
A repetição desses episódios deve motivar a busca por avaliação médica. A doença pode ter diversas causas, como lesões cerebrais, tumores, infecções do sistema nervoso, como Meningite, além de fatores genéticos ou condições sem causa definida.
Diagnóstico e tratamento
O diagnóstico é feito principalmente com base no histórico clínico e na descrição das crises. Exames complementares podem ser utilizados para confirmar a condição e identificar possíveis causas.
Apesar de nem todos os casos terem cura, a epilepsia pode ser controlada na maioria das situações com o uso de medicamentos antiepilépticos, que ajudam a prevenir novas crises e melhorar a qualidade de vida dos pacientes.
Relato mostra impacto da doença
A jornalista Cíntia Neves Silva conviveu com crises desde a adolescência, que inicialmente não foram identificadas como epilepsia. “Eu começava a babar, enrolava a língua e ficava como se tivesse fora do ar. Não chegava a cair, mas ficava ausente por alguns momentos”, relembra.
Mesmo com tratamento, ela chegou a ter várias crises em um único dia. A mudança veio após uma cirurgia realizada aos 30 anos, que possibilitou maior controle da doença. Hoje, leva uma rotina considerada próxima do normal e destaca a importância da informação para reduzir o preconceito.
Como agir durante uma crise
Ao presenciar uma crise epiléptica, a recomendação é manter a calma e adotar medidas simples de proteção:
- deitar a pessoa de lado, evitando aspiração;
- afastar objetos que possam causar ferimentos;
- proteger a cabeça até o fim da crise.
Não é indicado tentar conter os movimentos, colocar objetos na boca ou oferecer líquidos durante o episódio.
A conscientização promovida pelo Março Roxo busca justamente ampliar o conhecimento da população sobre a doença, contribuindo para o diagnóstico precoce, o tratamento adequado e a inclusão social de quem convive com a epilepsia. A campanha conta com apoio de instituições de saúde, como a Hapvida.