Ministério lança teleatendimento do SUS para tratar compulsão por apostas online

As consultas ocorrem por videoconferência, com duração média de 45 minutos, e integram ciclos de cuidado que podem contemplar até 13 sessões por paciente

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Nando Medeiros
· 2 minutos de leitura
Ministério lança teleatendimento do SUS para tratar compulsão por apostas online

O Ministério da Saúde anunciou o início de um serviço de teleatendimento pelo SUS voltado a pessoas maiores de 18 anos que apresentam comportamento compulsivo em jogos de apostas, além de seus familiares e redes de apoio. A iniciativa, em parceria com o Hospital Sírio-Libanês pelo Proadi-SUS, começou com a previsão de 600 atendimentos online por mês, com possibilidade de ampliação conforme a demanda e meta ambiciosa de até 100 mil consultas mensais.

As consultas ocorrem por videoconferência, com duração média de 45 minutos, e integram ciclos de cuidado que podem contemplar até 13 sessões por paciente, realizadas individualmente ou em grupo com apoio da rede familiar. O atendimento é gratuito, confidencial e executado por equipes multiprofissionais, psicólogos e terapeutas ocupacionais, com suporte de psiquiatras e articulação com assistência social e medicina de família para integração com os serviços locais.

O acesso ao serviço se dá pelo aplicativo Meu SUS Digital: o usuário deve fazer login com conta gov.br, entrar em “Miniapps” e selecionar “Problemas com jogos de apostas?”. O app inclui um autoteste validado no Brasil que aponta níveis de risco. Quem obtiver risco moderado ou elevado é encaminhado automaticamente ao teleatendimento; casos de menor risco recebem orientação para procurar a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), como CAPS ou unidades básicas de saúde. O Meu SUS Digital também oferece material informativo sobre prevenção e sinais de alerta.

A pasta informou ainda que todas as informações seguem a LGPD e que a Ouvidoria do SUS está preparada para prestar orientações por telefone (136), formulários, WhatsApp ou chatbot. O ministério citou estudo que estima perdas econômicas e sociais relacionadas às apostas em R$ 38,8 bilhões ao ano e ressaltou que o formato remoto busca reduzir barreiras como vergonha e medo do julgamento, ampliando o acesso ao tratamento.

Como complemento às medidas de cuidado, o governo mantém desde dezembro a Plataforma de Autoexclusão Centralizada, que permite aos usuários bloquear o acesso a sites de apostas por dois meses, seis meses ou tempo indeterminado e remover o CPF de cadastros e publicidade. Segundo o ministro, mais de 300 mil pessoas já usaram a autoexclusão, a maioria escolhendo bloqueio por tempo indeterminado. A ação também permite identificar vínculos com unidades de saúde para encaminhamentos quando necessário.

O ministério afirmou estar capacitando profissionais em parceria com a Fiocruz: foram oferecidas 20 mil vagas em cursos específicos para o tema, com 13 mil inscrições e 1,5 mil concluintes até o anúncio. O objetivo é resolver casos por teleatendimento quando possível e, nos demais, direcionar o paciente à rede de serviços especializada.