Inspirada em matéria especial do Portal Revide
Serena Pires, atleta ribeirão-pretana que acumula títulos estaduais, nacionais e mundiais no pole sport, conciliará em 2026 a rotina de competidora com a de treinadora enquanto tenta viabilizar financeiramente a participação em até três mundiais na Europa. Formada em gastronomia, ela entrou no esporte aos 19 anos, após um estágio na Itália em 2012, e transicionou do balé, que praticou por 15 anos, para o pole, atraída pela fusão entre dança e condicionamento físico.
A trajetória de Serena rapidamente ganhou competição: entre os 22 e 23 anos começou a disputar provas e subiu das categorias amador e profissional até alcançar a elite. Em 2023, conquistou o ouro na categoria elite do mundial realizado na Polônia, em apresentações solo e em dupla ao lado de Karina Balbo e em 2025, voltou com a prata do mundial na Hungria. No circuito nacional, é 11 vezes campeã brasileira e foi reconhecida como melhor atleta e melhor treinadora em 2024 e 2025; sua equipe recebeu o prêmio de melhor equipe nesses mesmos anos.
Além da carreira competitiva, Serena atua como treinadora desde 2016. Ela mantém, com o marido, um estúdio em Ribeirão Preto onde ministra aulas tanto para alunas que buscam competição quanto para alunas recreativas. A equipe que formou já teve 25 atletas em um campeonato recente, com idades que variam dos 13 aos 56 anos. Ela diz realizar treinamentos específicos quatro vezes por semana, complementados por trabalho com personal trainer e outras atividades para manter o rendimento.
A maior barreira para ampliar a participação nos mundiais é financeira: sem patrocínio, as viagens e custos de competição são bancados pela própria atleta e por estratégias locais, como rifas de pizzas e lasanhas. Serena afirma que vive 100% do pole sport e que a falta de patrocínio poderá limitar sua ida aos três eventos europeus previstos para este ano.
Outro desafio apontado por ela é a desinformação sobre o esporte. Serena destaca a necessidade de separar o pole sport competitivo de vertentes sensuais do pole dance e reforça que a modalidade profissional envolve crianças e programas pedagógicos, o que demanda diálogo e esclarecimento ao público.
Com a carreira consolidada, a atleta estabeleceu um novo objetivo: conquistar uma medalha representando a nova federação internacional, tornando-se possivelmente a primeira brasileira a ter pódios nos dois organismos. Enquanto busca recursos para as provas de 2026, Serena segue treinando e comandando sua equipe em Ribeirão Preto.