A Polícia Civil de Franca reclassificou como feminicídio a morte de Fernanda de Paula Galinto, 38 anos, cujo corpo foi localizado em 18 de janeiro em um prédio abandonado no bairro Parque dos Limas. O caso, inicialmente tratado como suicídio, passou a ser investigado pela Delegacia de Investigações Gerais após o laudo necroscópico indicar lesões incompatíveis com uma queda do edifício.
Segundo o delegado Márcio Murari, peritos identificaram um traumatismo craniano provocado por um objeto contundente e vários hematomas superficiais no corpo, mas não encontraram as fraturas e lesões internas que seriam esperadas em uma queda de grande altura. Com base nesse conjunto de evidências, a investigação mudou de linha e agora apura homicídio com motivação de gênero.
O principal suspeito é Éderson Gonçalves Mendes, 39 anos, ex-companheiro da vítima. Há um mandado de prisão temporária de 30 dias contra ele, mas, até a última verificação, Éderson permanecia foragido. A defesa do suspeito não foi localizada pela reportagem.
As apurações apontaram que Fernanda vivia em situação de rua e mantinha um relacionamento conturbado com o investigado, marcado por episódios de violência e uso de substâncias. Testemunhas foram ouvidas pela polícia para reconstruir a dinâmica dos fatos e confirmar antecedentes de agressões.
Fernanda deixou cinco filhos: três estão sob os cuidados de familiares e dois, gêmeos mais novos, chegaram a ser adotados. O imóvel onde o corpo foi encontrado, na Avenida Adhemar Polo Filho e conhecido popularmente como “Esqueleto”, é frequentado por pessoas em vulnerabilidade social e por usuários de drogas, o que também tem sido considerado nas diligências.
A DIG de Franca segue com o inquérito, colhendo depoimentos, analisando provas periciais e tentando localizar o suspeito para cumprimento do mandado. Novas informações serão divulgadas conforme o avanço das apurações.