Revendedores de combustíveis em Ribeirão Preto e região relataram dificuldades para adquirir diesel e gasolina junto às distribuidoras, que apontam limitação de volumes por parte da Petrobras. A Central de Monitoramento da Associação Núcleo Postos, que reúne 85 revendedores, apurou que, nos últimos dez dias, o litro do diesel subiu em média mais de R$ 1,00 entre distribuidoras e postos; a gasolina subiu mais de R$ 0,50/litro no mesmo período, e os aumentos já aparecem nas bombas.
No mercado internacional, o preço do barril de Brent chegou a US$ 120 nesta segunda, praticamente o dobro do valor de dez dias atrás (US$ 61). A Abicom (Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis) calcula que a defasagem dos preços domésticos em relação ao mercado externo alcança cerca de 78% nos principais polos para o diesel (85% em polos da Petrobras), equivalente a R$ 2,74/litro, e 46% a 49% para a gasolina, o que representa aproximadamente R$ 1,22/litro.
A interrupção do tráfego no Estreito de Ormuz, no Golfo Pérsico, decorrente das ações militares regionais, é apontada como fator que pressiona cotações e oferta global de petróleo.
O aumento dos preços da gasolina e do diesel já elevou a procura por etanol nos postos: o biocombustível acumulou alta média de R$ 0,10/litro nas distribuidoras para os revendedores nos últimos dez dias. A situação é agravada pela entressafra da cana-de-açúcar e pela menor produção registrada na última safra, o que reduz a capacidade das usinas de repor estoques.
A associação alerta que a combinação de alta dos combustíveis e estoques reduzidos pode provocar efeito em cascata nos custos do setor produtivo e na inflação. Para o consumidor, a orientação é observar a paridade: abastecer com etanol quando seu preço estiver em até 70% do preço da gasolina por litro.