O Jornal da Total, da rádio Total FM 106,1, edição desta terça-feira (07), abordou um problema gravíssimo da gestão pública de Pitangueiras-SP
Após vídeos feitos por moradores revelarem materiais de alto valor sem proteção em escola em reforma, gestão do prefeito Dimas Bolzan tenta associar exposição pública aos crimes, mas levanta questionamentos sobre negligência, falta de segurança e inversão de responsabilidades
A reação da Prefeitura de Pitangueiras a uma série de furtos e atos de vandalismo registrados no último feriado gerou forte repercussão e críticas. Isso porque, ao comentar o caso, a administração municipal atribuiu à divulgação de vídeos nas redes sociais, feitos pela própria população para denunciar uma obra parada e materiais expostos, parte da responsabilidade pelos crimes, evidenciando possíveis falhas de gestão e uma tentativa de transferir à sociedade a culpa por problemas estruturais.
Denúncia popular revelou problema antes do crime
Os vídeos citados pela prefeitura não surgiram de forma aleatória. Foram produzidos por moradores com um objetivo claro: denunciar o aparente abandono de uma obra pública e a exposição de materiais de alto valor sem qualquer esquema de segurança.
Nas imagens, cabos de energia avaliados em cerca de R$ 200 mil estavam armazenados na Escola Municipal Waldomiro Ferreira Fraga, que passa por reforma. O material, visivelmente acessível, evidenciava uma situação de vulnerabilidade.
Dias depois, o que já era previsível ocorreu: o local foi invadido e os itens furtados.
A sequência dos fatos levanta uma questão central: o problema foi a divulgação ou a negligência pré-existente?
Prefeitura tenta inverter narrativa
Na nota oficial, a administração municipal afirma que a exposição de informações sensíveis “pode atrair criminosos”. A declaração, no entanto, é interpretada como uma tentativa de deslocar o foco do problema.
Na prática, especialistas em gestão pública e comunicação institucional apontariam que:
- A divulgação não cria a vulnerabilidade — ela revela a vulnerabilidade
- O dever de proteger o patrimônio é exclusivo do poder público
- A população exerce um papel legítimo de fiscalização
Ao sugerir que os vídeos contribuíram para o crime, a prefeitura cria uma narrativa que, na avaliação crítica, inverte a lógica dos fatos.
Falhas de segurança e ausência de prevenção
O caso expõe um conjunto de fragilidades administrativas:
- Ausência de vigilância patrimonial em uma obra com materiais de alto valor
- Falta de controle de acesso ao local
- Inexistência de protocolos de proteção em canteiros públicos
- Nenhuma ação preventiva identificada, mesmo após a denúncia
Além disso, outros episódios registrados no mesmo período reforçam o cenário preocupante:
- Depredação na Escola Municipal Mário Rossin
- Destruição de decoração de Páscoa na Praça São Sebastião
A repetição de ocorrências indica que não se trata de casos isolados, mas possivelmente de uma fragilidade sistêmica na proteção de bens públicos.
Impacto direto na população
Os prejuízos não são apenas financeiros. A própria prefeitura admite que houve suspensão de aulas, o que evidencia falhas na continuidade de serviços essenciais.
Na prática, a equação é clara:
- Falta de segurança → furto → prejuízo → interrupção de serviço público
Quem paga essa conta é a população.
E a Câmara? Fiscalização ou silêncio?
Diante de um cenário que envolve possível negligência na guarda de patrimônio público, denúncias ignoradas e prejuízo direto ao serviço essencial, surge uma pergunta inevitável: qual tem sido o papel da Câmara Municipal de Pitangueiras?
A Constituição e a própria lógica do sistema democrático atribuem ao Legislativo um dos seus pilares fundamentais: fiscalizar os atos do Executivo. No entanto, até o momento, não há sinalização clara de medidas concretas por parte dos vereadores.
Houve abertura de investigação?
Algum requerimento de informação foi protocolado?
Existe previsão de convocação de responsáveis para prestar esclarecimentos?
Ou a Câmara assistirá passivamente ao episódio?
A ausência de posicionamento firme pode ser interpretada não apenas como omissão, mas como possível conivência diante de falhas administrativas que impactam diretamente o dinheiro público e a população.
Comunicação agrava crise
Outro ponto crítico é a forma como a prefeitura conduziu a comunicação do caso.
Em vez de:
- reconhecer falhas
- anunciar medidas corretivas
- apresentar plano de ação
A administração optou por um discurso que:
- sugere culpa externa
- não detalha providências concretas
- evita responsabilização interna
Esse tipo de abordagem tende a gerar:
- desgaste político
- perda de credibilidade
- aumento da desconfiança pública
Controle social colocado em xeque
Ao associar a divulgação popular aos crimes, a gestão municipal toca em um ponto sensível: o direito da população de fiscalizar o poder público.
A produção e divulgação de vídeos denunciando possíveis irregularidades ou descaso:
- é legítima
- é protegida dentro do interesse público
- é parte essencial da transparência
A tentativa de vincular essa prática a consequências negativas pode ser interpretada como: um desestímulo à participação cidadã
O que fica sem resposta
Mesmo após a nota oficial, permanecem questionamentos fundamentais:
- Por que materiais de alto valor estavam sem proteção?
- Havia algum tipo de vigilância no local?
- A prefeitura tomou providências após a denúncia inicial?
- Existe apuração interna sobre possíveis falhas?
- Quais medidas concretas serão adotadas para evitar novos casos?
Até o momento, essas respostas não foram apresentadas de forma clara.
Conclusão
O episódio vai além de um caso de furto. Ele escancara uma combinação preocupante de fatores:
- possível negligência na gestão de obras públicas
- fragilidade na segurança patrimonial
- ausência de resposta preventiva
- e uma comunicação que tenta reconfigurar responsabilidades
Ao invés de conter a crise, a postura adotada pela gestão do prefeito Dimas Bolzan acaba ampliando o problema, transformando um caso de polícia em um questionamento direto sobre eficiência administrativa, transparência e responsabilidade pública.
E, no centro de tudo, permanece um ponto incontornável: os vídeos não criaram o problema, apenas mostraram o que já estava errado.
O Jornal da Total vai ao ar diariamente, de segunda a sexta-feira às 07h30, pela Total FM 106,1, denúncias ou reclamações pelo WhatsApp 16 3878-1577
Íntegra da nota enviada pelo Dpto. de Comunicação da Prefeitura de Pitangueiras para a imprensa em 06/04/2026, às 10h38, por Nívea Noriega.

NOTA OFICIAL:
Prefeitura de Pitangueiras alerta para prejuízos causados por onda de ataques ao patrimônio público
A Prefeitura Municipal de Pitangueiras manifesta profunda preocupação com a recente sequência de atos de vandalismo e furtos que atingiram equipamentos públicos da cidade durante o último feriado. Os episódios, que resultaram na suspensão de aulas e danos materiais, coincidem com a exposição de informações sensíveis sobre prédios e obras municipais em redes sociais.
Furtos na E.M. Waldomiro Ferreira Fraga
Um dos casos de maior impacto ocorreu na Escola Municipal Waldomiro Ferreira Fraga, em reforma. Após a ampla divulgação de vídeos detalhando o armazenamento e o valor de mercado de cabos de força (avaliados em R$ 200 mil), a unidade foi invadida e o material furtado. A administração municipal reforça que a exposição pública de valores e locais de armazenamento de matérias atrai a atenção de criminosos, gerando um prejuízo direto aos cofres públicos e atrasando a entrega de melhorias à população.
Depredação e Impacto Social
Além do furto de cabos, outra escola, a E.M. Mário Rossin também sofreu com severos atos de vandalismo, com destruição de vidros e mobiliário, o que impossibilitou o retorno dos alunos às salas de aula nesta segunda-feira. Na Praça São Sebastião, a decoração de Páscoa — instalada para o lazer das famílias — foi depredada poucas horas após sua colocação.
Medidas e Responsabilização
A Prefeitura esclarece que o papel de fiscalização é legítimo, mas que a forma como algumas informações são divulgadas pode, involuntariamente, servir como incentivo a atos ilícitos ou criar um ambiente de hostilidade contra o patrimônio coletivo.
As forças de segurança já identificaram os responsáveis pelas invasões escolares, e a Polícia Civil investiga os crimes executados. O foco do governo municipal agora é a rápida recuperação dos espaços para garantir o atendimento aos cidadãos e a segurança das unidades escolares.
Prefeitura Municipal de Pitangueiras
Assessoria de Imprensa e Comunicação Social