Produtores rurais, entidades do agronegócio e empresas da região de Ribeirão Preto avaliaram positivamente o acordo entre Mercosul e União Europeia. A decisão, fruto de negociações que duraram cerca de 25 anos, foi recebida como uma oportunidade para ampliar o acesso a mercados e fomentar investimentos locais, mas também trouxe alertas sobre efeitos graduais e a necessidade de cautela.
Representantes do setor sucroenergético, organizados no Ceise Br (Centro Nacional das Indústrias do Setor Sucroenergético e Biocombustíveis), com sede em Sertãozinho, afirmaram que o pacto pode injetar dinamismo na cadeia produtiva caso autorize, ainda que de maneira paulatina, incremento nas exportações de açúcar e etanol dentro das cotas previstas. Segundo a entidade, esse cenário tenderia a estimular investimentos em expansão e modernização das usinas, beneficiando fornecedores e o parque industrial regional.
Ao mesmo tempo, o Ceise Br ponderou que os impactos diretos sobre a indústria de base, fabricante de equipamentos e soluções tecnológicas, devem ser limitados no curto prazo, já que hoje há volume restrito de exportações brasileiras desse segmento para a Europa. A redução tarifária prevista, porém, deve facilitar a importação de equipamentos e componentes europeus, contribuindo para automação e ganhos de eficiência nas plantas locais.
A Abag (Associação Brasileira do Agronegócio), que atua na região, destacou o caráter estratégico do acordo para os produtores. A entidade apontou que a medida tende a fortalecer o Mercosul como bloco fornecedor de alimentos e energia, além de abrir espaço para agendas futuras, como combustíveis sustentáveis para aviação, transporte marítimo e cooperação tecnológica.
Líderes do setor ressaltaram que o texto aprovado na sexta-feira ainda depende de aprovação do Parlamento Europeu antes de ser considerado concluído, o que significa que os efeitos práticos só serão sentidos de forma mais clara após a ratificação definitiva. Até lá, empresariado e produtores locais dizem que seguirão avaliando cenários e ajustando planos de investimentos conforme a evolução das negociações.
No âmbito regional, especialistas consultados afirmaram que a principal mudança esperada no curto e médio prazos é a maior disponibilidade de tecnologia importada para modernização das unidades industriais, o que pode refletir em produtividade e competitividade para produtos oriundos de Ribeirão Preto e municípios vizinhos.