Racha entre vereadores complica articulação da Prefeitura e atrasa projeto de permuta em Ribeirão Preto

Por ora, Lincoln Fernandes não deve ser oficializado no posto, afirmam fontes do governo, diante da possibilidade de enfrentar resistência de vereadores alinhados a Isaac Antunes

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Nando Medeiros
· 2 minutos de leitura
Racha entre vereadores complica articulação da Prefeitura e atrasa projeto de permuta em Ribeirão Preto

O rompimento político e pessoal entre o presidente da Câmara de Ribeirão Preto, Isaac Antunes (PL), e o vereador Lincoln Fernandes (PL), ocorrido no fim de 2025, passou a afetar diretamente a relação entre o Legislativo e o Executivo municipal.

Segundo interlocutores do prefeito Ricardo Silva (PSD), o impasse dificulta a escolha de um líder do governo na Câmara para 2026 e pode comprometer a tramitação de propostas importantes da administração. A prefeitura costuma formalizar, no início do ano, por ofício à presidência da Câmara, o nome do parlamentar que atuará como líder do Executivo.

Por ora, Lincoln Fernandes não deve ser oficializado no posto, afirmam fontes do governo, diante da possibilidade de enfrentar resistência de vereadores alinhados a Isaac Antunes. Com essa previsão, a administração passou a avaliar nomes de consenso, como os ex-presidentes Igor Oliveira (MDB) e Franco Ferro (PP), mas a definição está condicionada ao desfecho do conflito entre os dois parlamentares.

Um dos projetos que depende de um líder com capacidade de articulação é a proposta de permuta de um terreno público na Zona Sul (avenida Braz Olaia Acosta), com quase 41 mil m², pela antiga sede do Colégio Marista, no centro da cidade. A prefeitura havia enviado a proposta à Câmara no fim do ano passado, mas retirou a matéria após questionamentos sobre a avaliação do imóvel público.

Pela estimativa da Comissão de Avaliação Técnica de Imóveis (Cati), a área municipal foi orçada em R$ 39.617.035; o imóvel do Colégio Marista, em R$ 57.214.519,39. Segundo a Prefeitura, a operação garantiria à administração uma mudança de sede sem custos e um ganho patrimonial líquido de cerca de R$ 17,6 milhões. A gestão aguardava nova avaliação do Conselho Regional de Corretores e Imóveis do Estado de São Paulo (CreciSP) para reenviar o projeto.

No entanto, três meses depois da suposta conclusão do laudo, a Prefeitura ainda não divulgou oficialmente o parecer, e fontes consultadas pelo Tribuna afirmam que o Executivo prefere não protocolar nova proposta enquanto o nome do líder não estiver definido, por receio de derrota em plenário.

A Prefeitura, por sua vez, afirma que o CreciSP ainda não formalizou a entrega do parecer de avaliação. Enquanto o impasse entre os vereadores não for solucionado, a tramitação da permuta segue em suspenso e a aprovação de outras iniciativas do governo pode enfrentar obstáculos nas comissões e no plenário da Câmara.