Raízen protocolou recuperação extrajudicial nesta quarta; plano inclui conversão de dívidas e possível venda de ativos

A Raízen ressaltou que as operações seguem em atividade e que manterá mercado, acionistas e parceiros informados sobre desdobramentos relevantes

  • Go to the profile of  Nando Medeiros
Nando Medeiros
· 1 minuto de leitura
Raízen protocolou recuperação extrajudicial nesta quarta; plano inclui conversão de dívidas e possível venda de ativos

A Raízen, maior produtora mundial de etanol e biomassa de cana‑de‑açúcar e dona da marca Shell no país, apresentou pedido de recuperação extrajudicial nesta quarta‑feira, 11 de março de 2026. A empresa informou que já obteve a adesão de credores que detêm mais de 47% das dívidas quirografárias, parcela superior ao quórum mínimo legal e que o montante total de passivos supera R$ 65,1 bilhões.

Segundo o comunicado da companhia, o objetivo do pedido é criar um ambiente jurídico estável para negociar e implementar a reestruturação dessas dívidas sem garantia real. A Raízen explicou que tem prazo de 90 dias, a contar do processamento do pedido, para alcançar o percentual necessário à homologação do plano, quando então passarão a vigorar os novos termos de pagamento para 100% dos créditos sujeitos ao acordo.

O plano apresentado prevê medidas como capitalização pelos acionistas, conversão de parte dos créditos em participação acionária, substituição por novas dívidas, reorganizações societárias para segregar negócios e eventual venda de ativos. A empresa destacou que a iniciativa tem escopo limitado e não abrange obrigações com clientes, fornecedores, revendedores e outros parceiros, cujos contratos permanecem em vigor e estão sendo cumpridos normalmente.

A Raízen ressaltou que as operações seguem em atividade e que manterá mercado, acionistas e parceiros informados sobre desdobramentos relevantes. O grupo emprega mais de 45 mil pessoas e trabalha com cerca de 15 mil parceiros no país; na safra 2024/2025 registrou receita líquida de R$ 255,3 bilhões.

No interior paulista, a companhia mantém unidades importantes na região de Ribeirão Preto e cidades próximas, entre elas a usina Bonfim (Guariba), referência em biogás e etanol de segunda geração e a Vale do Rosário (Morro Agudo). Outras unidades controladas pelo grupo no estado também foram citadas no comunicado. A empresa diz que as atividades nessas usinas continuam normalmente enquanto as tratativas com credores avançam.