Ribeirão Preto passou por uma mudança acelerada na mobilidade urbana nas últimas duas décadas. Levantamento com base em dados do IBGE mostra que a cidade saiu de 279.786 veículos em 2006 para 617.315 em 2025, avanço de cerca de 120%.
Os automóveis seguem liderando a frota, com salto de 174.526 para 320.964 unidades no período. As motocicletas também ganharam espaço de forma expressiva, passando de 54.895 para 124.890. Entre os tipos de veículo, as caminhonetes foram as que mais cresceram proporcionalmente, de 11.211 para 44.549.
O aumento da frota reforça a pressão sobre o sistema viário e amplia a necessidade de obras, planejamento e medidas de segurança. Entre 2015 e 2025, 1.888 pessoas morreram em acidentes de trânsito na cidade, segundo dados do InfoSiga. A média é de quase 172 mortes por ano, com os piores resultados registrados em 2022, com 203 vítimas, e em 2024, com 216.
Os motociclistas concentram a maior parte das mortes no período: foram 890, o equivalente a 47,1% do total. Na sequência aparecem os pedestres, com 436 óbitos, os ocupantes de automóveis, com 226, e os ciclistas, com 178.
No horizonte, Ribeirão Preto tem dois conjuntos importantes de intervenções em mobilidade. Um deles prevê a implantação da Via Leste-Oeste, com financiamento federal de R$ 1,1 bilhão dentro do Novo PAC Avançar Cidades. O projeto inclui a abertura da Avenida do Tanquinho, a duplicação e requalificação da Avenida Rio Pardo, além de novas conexões, pontes, ciclovias e um parque linear.
O governo paulista também anunciou obras para integrar melhor a região metropolitana, com melhorias em rodovias como SP-322, SP-255 e SP-328, além de adequações em acessos estratégicos, vias marginais, ligações com bairros e ciclovias.
As projeções indicam que a frota pode chegar a entre 700 mil e 750 mil veículos até 2056. Embora o crescimento deva perder ritmo, os números apontam para um cenário de trânsito cada vez mais complexo, em uma cidade que deve atingir o pico populacional por volta de 2030 e depois entrar em fase de estabilização e recuo demográfico.