O Censo Escolar 2025 apontou redução de 2,5% no total de matrículas na rede de ensino de Ribeirão Preto, que passou de 140.474 para cerca de 137 mil estudantes. O recuo abrange as redes municipal, estadual e particular e foi confirmado por balanços divulgados ao longo de 2025. A queda foi associada a fatores demográficos e a mudanças na dinâmica do próprio sistema escolar.
Dados do IBGE mostram que a cidade teve redução no número de nascimentos entre 2019 e 2024: foram 10.438 registros há cinco anos contra 9.062 em 2024, uma queda de cerca de 13%. Especialistas ouvidos por veículos locais apontam que menos nascimentos resultam, com o tempo, em menor ingresso de crianças nas escolas e, consequentemente, em menos matrículas na educação básica.
Outro fator destacado por analistas de educação foi a melhora na correção de fluxo escolar. A redução da distorção idade-série, consequência de menos reprovações, faz com que alunos concluam etapas educacionais mais rapidamente, diminuindo a população em cada ano escolar. Ao mesmo tempo, especialistas alertaram para sinais de evasão no Ensino Médio: a comparação entre turmas indica queda entre a segunda e a terceira série, sugestiva de abandono escolar em parte dos jovens.
Na prática, a diminuição do total de estudantes não se refletiu igualmente em todas as unidades. A Escola Estadual Guimarães Júnior, no Centro, manteve turmas cheias, com cerca de 40 alunos por sala. A direção explica que o modelo de meio período atende uma demanda específica: jovens que trabalham e precisam de horários compatíveis com a jornada de emprego, o que preserva a permanência desses estudantes na escola.
A Secretaria de Educação do Estado informou que adotou medidas para incentivar a manutenção dos alunos na rede, entre elas programas de permanência e a busca ativa de estudantes após três faltas consecutivas. A pasta contestou a ideia de que a queda de matrículas se deva exclusivamente à evasão, reforçando ações para monitorar e recuperar alunos em situação de abandono.
Com a combinação de menor natalidade e mudanças nas trajetórias escolares, gestores e especialistas dizem ser necessário ajustar planejamento de vagas, modalidades de ensino e políticas de retenção para acompanhar a nova realidade populacional de Ribeirão Preto.