Com a Agrishow marcada para 27 de abril a 1º de maio em Ribeirão Preto, o setor de máquinas agrícolas chega ao evento sob pressão de fatores macroeconômicos que têm reduzido a demanda. Empresários e representantes da indústria apontam que a combinação de valorização do real, juros altos e queda nos preços das commodities vem comprometendo a rentabilidade do produtor e, por consequência, as vendas de tratores e implementos.
Segundo dirigentes da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), o movimento da área apresentou desempenho fraco no início do ano, com produtores mais relutantes em fechar negócios. A valorização do real reduz a receita dos exportadores de grãos ao converter preços internacionais mais baixos, diminuindo a sobra financeira para investimentos em equipamentos.
A elevada taxa de juros também pesa. Com a Selic ainda em patamares superiores a 14%, linhas de financiamento acabam ficando caras mesmo quando parcialmente subsidiadas, como os programas do Plano Safra. Na avaliação do setor, isso leva o produtor a priorizar o custeio da safra em vez da troca ou modernização de máquinas. Além disso, instituições financeiras têm adotado critérios mais rígidos, limitando a oferta de crédito e travando investimentos.
Outro ponto de atenção é a instabilidade geopoliticamente provocada pelo conflito entre Estados Unidos/Israel e Irã. Embora os efeitos sobre a agricultura sejam incertos, a indústria teme impacto nos custos do diesel e de insumos, como fertilizantes, caso a crise se prolongue, cenário que poderia elevar ainda mais os custos de produção.
A Agrishow, que tradicionalmente mobiliza bilhões em intenções de negócio, vem sendo observada pelo setor como termômetro: organizadores e expositores esperam que o evento sirva para mapear a real disposição de compra dos produtores diante dos entraves mencionados e avaliar possíveis ajustes nas expectativas para o restante do ano.