Representantes do agronegócio local manifestaram preocupação com a decisão do Parlamento Europeu de encaminhar revisão legal que adia a ratificação do acordo entre Mercosul e União Europeia. A Abag (Associação Brasileira do Agronegócio), que atua na região de Ribeirão Preto, afirmou em nota que o movimento reduz o potencial do pacto e posterga ganhos econômicos para produtores e cadeias produtivas.
Segundo a entidade, o adiamento limita a capacidade de resposta conjunta a incertezas geopolíticas e não contribui para o fortalecimento do multilateralismo. A Abag ressaltou que a integração com a União Europeia é estratégica para ampliar mercados, agregar valor e consolidar cadeias produtivas locais, e disse esperar que defensores do acordo encontrem meios de acelerar sua implementação.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, indicou que Bruxelas está disposta a aplicar o acordo de forma provisória, mesmo enquanto ocorre a revisão legal, para garantir que benefícios econômicos sejam disponibilizados o quanto antes. A medida seria uma alternativa à ratificação suspensa pelo parlamento europeu.
O acordo prevê a eliminação gradual de mais de 90% das tarifas sobre uma ampla gama de produtos, o que poderia tornar exportações agrícolas brasileiras mais competitivas e trazer impacto direto a produtores da região de Ribeirão Preto. Países como França exigiram proteções adicionais para seus agricultores, enquanto vozes na Alemanha manifestaram apoio à aplicação provisória do pacto.
Para o setor local, a expectativa agora é por sinais claros sobre prazos e condições para a aplicação provisória ou definitiva do acordo, que, segundo a Abag, beneficiaria consumidores e produtores dos dois blocos. A decisão do parlamento europeu ocorre depois de ampla aceitação do acordo na América do Sul, onde a ratificação é vista como quase certa.