As primeiras semanas do ano letivo costumam ser marcadas pelo aumento de gripes, resfriados e outras infecções respiratórias entre crianças. No entanto, especialistas alertam que o período de adaptação à rotina escolar também pode provocar mudanças no sono, na alimentação e no comportamento, com reflexos diretos no bem-estar físico e emocional.
De acordo com a pediatra da Hapvida Amanda Mendes Spirlandeli, a maior convivência em ambientes coletivos favorece a circulação de vírus, o que explica a alta de doenças no início das aulas. Além disso, alterações de horários e hábitos durante a transição das férias para a rotina escolar podem impactar o organismo infantil.
Doenças sazonais e prevenção
Infecções leves são consideradas parte do desenvolvimento infantil — é comum que crianças apresentem episódios virais várias vezes ao longo do ano. Ainda assim, algumas medidas ajudam a reduzir riscos e fortalecer o sistema imunológico:
- manter a vacinação em dia;
- incentivar a higiene das mãos antes das refeições e após usar o banheiro;
- garantir boa hidratação;
- oferecer alimentação equilibrada;
- estimular atividades físicas regulares;
- estabelecer horários consistentes de sono.
Pais e responsáveis devem buscar avaliação médica quando surgirem sinais de alerta, como febre persistente, prostração, recusa alimentar ou sinais de desidratação.
Impactos emocionais da adaptação
O retorno à escola também representa um período de readaptação social e emocional, especialmente para crianças que mudaram de turma ou instituição. Nessa fase, podem surgir:
- irritação ou choro fácil;
- ansiedade diante do novo ambiente;
- dificuldade para dormir ou pesadelos;
- sonolência durante o dia;
- maior agitação.
Essas manifestações costumam ser temporárias e tendem a melhorar entre duas e quatro semanas, conforme a criança se familiariza com a nova rotina.
Sono é fundamental para aprender
Especialistas destacam que o sono tem papel essencial na consolidação da memória e na recuperação do organismo. Durante a noite, o corpo produz substâncias ligadas à imunidade e ao equilíbrio metabólico, o que influencia diretamente a atenção, a disposição e o rendimento escolar.
A recomendação média é de:
- 9 a 12 horas de sono por dia para crianças;
- 8 a 10 horas para adolescentes.
Criar um ritual noturno previsível, com luzes mais suaves, higiene antes de deitar e menos estímulos, ajuda na adaptação. O uso de telas deve ser evitado pelo menos uma hora antes de dormir.
Alimentação também influencia o desempenho
Uma dieta equilibrada contribui não apenas para o crescimento, mas também para o aprendizado. Nutrientes como proteínas, carboidratos, vitaminas e minerais são fundamentais para funções cognitivas como memória, concentração e raciocínio.
Manter horários regulares de refeições e incentivar o consumo de alimentos naturais são estratégias que auxiliam tanto na saúde quanto no desempenho escolar.
O início do ano letivo, portanto, vai além da compra de materiais e da organização da agenda: é um momento de ajuste gradual do corpo e das emoções. Acompanhamento atento da rotina e diálogo com a criança ajudam a tornar essa transição mais saudável e tranquila.