Alta do tabagismo acende alerta para avanço do câncer de boca no país

Especialistas lembram que abandonar o tabaco traz ganhos rápidos na função respiratória e na circulação

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Nando Medeiros
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Alta do tabagismo acende alerta para avanço do câncer de boca no país

Relatório federal que monitora hábitos da população mostrou inversão na redução do tabagismo no país e acendeu alerta entre especialistas para possível aumento de casos de câncer da cavidade oral. Segundo dados do Vigitel, divulgados pelo Ministério da Saúde, 11,5% dos adultos brasileiros declaram fumar cigarros convencionais, interrompendo a sequência de quedas registrada nos anos anteriores. A ampliação do uso de cigarros eletrônicos entre adolescentes e jovens preocupa profissionais de saúde, que apontam o apelo de sabores e aromas como responsável por uma sensação equivocada de menor risco.

O avanço do tabagismo contrasta com iniciativas locais de prevenção. Em Ribeirão Preto, a rede pública de saúde informou ter atendido 527 pessoas em programas de cessação do tabaco, com taxa de abandono do fumo de 53% entre os participantes, índice que supera com folga a média nacional de sucesso, estimada em cerca de 30%. As ações municipais ganham impulso nas próximas semanas por causa do Dia Mundial Sem Tabaco, em 31 de maio, quando serão intensificadas campanhas de orientação e oferta de tratamento para quem quer parar.

Especialistas lembram que abandonar o tabaco traz ganhos rápidos na função respiratória e na circulação e reduz, a longo prazo, o risco de tumores na boca, língua, lábios, gengivas e bochechas. Estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA) apontam que o Brasil deve registrar mais de 17 mil novos casos de câncer da cavidade oral por ano no atual triênio.

Os profissionais de saúde recomendam atenção a sinais que exigem investigação imediata: lesões que não cicatrizam dentro de 15 dias, manchas esbranquiçadas ou avermelhadas na mucosa, rouquidão persistente e nódulos no pescoço. Além do tabaco, o consumo de álcool, a higiene bucal deficiente e a infecção por HPV são fatores que aumentam a probabilidade de desenvolvimento da doença. O oncologista Carlos Fruet ressalta que o diagnóstico em estágios iniciais é decisivo para ampliar as chances de cura e preservar a qualidade de vida dos pacientes.

A prefeitura de Ribeirão Preto informou que seguirá oferecendo grupos de apoio, orientação odontológica e acessibilidade a medicamentos para auxiliar quem pretende interromper o consumo de tabaco. Serviços e horários serão divulgados nas unidades de saúde e nas ações previstas para o final do mês.