O Sindicato dos Trabalhadores da Indústria do Açúcar informou que pelo menos 350 empregados da Usina Carolo, em Pontal (SP), foram demitidos nos últimos dias e permanecem sem receber verbas rescisórias. A entidade também acusa a empresa de atraso no pagamento da folha e de retenção de descontos de convênio médico e pensões alimentícias sem repasses aos beneficiários.
Segundo o presidente do sindicato, Antonio Vitor, a remuneração referente a fevereiro, que deveria ter sido quitada até o quinto dia útil de março, não foi paga. Vitor acrescentou que o vale-alimentação e o plano de saúde estavam sem pagamento há cerca de três meses. Trabalhadores relataram ainda ausência de depósitos do FGTS por mais de um ano.
Na manhã de 6 de março, por volta de 50 funcionários protestaram em frente à usina cobrando regularização dos pagamentos. Em relatos colhidos, houve bloqueio de acessos com caminhões da própria empresa para impedir a entrada de pessoas. Um eletricista que atuava na unidade afirmou que os descontos referentes ao convênio médico vinham sendo feitos, mas os valores não estavam sendo repassados. Ele também mencionou casos de desconto de pensões sem encaminhamento ao destinatário.
A usina já foi alvo de ação judicial em novembro de 2025, quando houve busca e apreensão de máquinas agrícolas para reintegração de posse, e está sob investigação por supostas fraudes no setor de combustíveis. A reportagem tentou contato com a administração da Usina Carolo, mas não obteve retorno até a publicação desta matéria.
O sindicato informou que segue mobilizando trabalhadores e avalia próximos passos para cobrar os direitos não pagos. Procuradores trabalhistas e órgãos de fiscalização poderão ser acionados caso a situação não seja regularizada.