Comissão ouve quatro ex-assessores sobre suposta 'rachadinha' envolvendo vereador de Ribeirão Preto

Duas testemunhas admitiram participar da devolução de parcelas dos vencimentos ao parlamentar; outras duas negaram conhecimento ou prática do esquema

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Nando Medeiros
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Comissão ouve quatro ex-assessores sobre suposta 'rachadinha' envolvendo vereador de Ribeirão Preto

A comissão processante da Câmara de Ribeirão Preto ouviu quatro ex-assessores do vereador Lincoln Fernandes em sessão aberta ao público, com gravações proibidas, que apura suspeitas de retenção de parte dos salários dos funcionários do gabinete. Duas testemunhas admitiram participar da devolução de parcelas dos vencimentos ao parlamentar; outras duas negaram conhecimento ou prática do esquema.

Segundo o presidente da comissão, vereador Jean Coraucci (PSD), as primeiras ouvidas reconheceram a existência da chamada "rachadinha" no gabinete, enquanto as duas últimas relataram nunca ter sido solicitadas a repassar parte dos salários. Coraucci informou ainda que a defesa arrolou cerca de dez novas testemunhas, que devem ser convocadas antes da elaboração do relatório final. A previsão é de que os trabalhos sejam concluídos em aproximadamente um mês, com o documento sendo encaminhado ao plenário para decisão sobre eventual pedido de cassação.

Em depoimento, um dos ex-assessores disse ter recebido cerca de R$ 2,3 mil, cerca de 40% do salário e afirmou entregar a maior parte em espécie ao vereador, além de relatar ter assinado contrato de aluguel de uma chácara em seu nome, que teria sido ocupada pelo parlamentar por 30 meses. Ele apresentou boleto, contrato de aluguel e extratos bancários, mas reconheceu não ter comprovante direto da entrega do dinheiro em espécie.

Outra ex-assessora, que atuou no gabinete entre 2020 e 2024, também confirmou que parte do salário depositado em sua conta era repassada ao vereador, informando dispor de extratos bancários como evidência. Ambas disseram ter se sentido mais à vontade para depor após deixarem os cargos.

Por outro lado, as duas últimas testemunhas, uma que trabalhou por quatro meses e outra por cerca de um ano, negaram ter participado ou ter conhecimento de qualquer exigência de repasse de parte da remuneração e afirmaram ter recebido integralmente os salários sem vínculo com exigência de pagamentos.

A defesa de Lincoln classificou as oitivas como pouco contundentes e afirmou ter identificado contradições, além de apontar falso testemunho por parte de uma das pessoas ouvidas. "Não foram apresentadas provas suficientes para criminalizar nosso cliente", declarou um dos advogados.

O processo contra Lincoln Fernandes, que ocupa a vice-presidência da mesa como segundo secretário, foi aberto pela Câmara após aprovação, em 25 de fevereiro, por 20 vereadores. O caso chegou a tramitar no Conselho de Ética, que entendeu ser mais apropriado o rito da comissão processante. A relatoria é de Judeti Zilli (PT) e o vereador Sargento Lopes (PL) integra o grupo responsável pela apuração.