Dois policiais militares foram formalmente denunciados por homicídio qualificado, incluindo surpresa e uso de recurso que dificultou a defesa da vítima, além do aproveitamento da condição de militares em serviço, e por fraude processual. A peça de acusação foi encaminhada ao Tribunal de Justiça Militar no final de janeiro de 2026 e, até esta quinta-feira (12/02/2026), seguia sem análise, com o processo em segredo de Justiça.
Segundo a denúncia, o episódio ocorreu no início de abril de 2023, durante o feriado da Páscoa. O sargento Rullian teria sido escalado de última hora para cobrir o plantão, contrariando folga previamente programada para visitar a família em Franca. Na madrugada de 6 de abril, ele discutiu no alojamento com o capitão Francisco Laroca pela mudança na escala. De acordo com a versão inicial da corporação, Rullian teria sacado uma arma; Laroca teria então efetuado três disparos em legítima defesa e o cabo motorista Fabiano Rizzo atirado uma vez. O sargento foi atingido no pescoço e no tórax e morreu no local. As armas dos três policiais foram apreendidas na investigação.
Imagens registradas por câmera acoplada à farda de um policial que atendeu a ocorrência mostram Laroca justificando a ação e descrevendo comportamento agressivo de Rullian ao contestar uma colega. As imagens também mostram o sargento ferido, coberto por um lençol em um beliche, e um agente retirando um revólver calibre .32 que estava junto ao corpo. O helicóptero Águia chegou para apoio, mas o sargento não resistiu aos ferimentos.
Procurada, a defesa de Laroca informou que se manifestará após uma decisão judicial. O advogado de Rizzo disse ter recebido a denúncia com “surpresa”, alegando que o conjunto probatório comprovaria a legitimidade da ação e reafirmando a inocência do cabo. A advogada que representa a família de Rullian, Pamela Stradioti, declarou que o oferecimento da denúncia era esperado diante da “robustez das provas técnicas e periciais” e repudiou, em nome da família, os atos que, segundo a denúncia, configurariam violação dos deveres funcionais e desrespeito à vida dentro da própria unidade.
O processo corre em segredo, e o Tribunal de Justiça Militar ainda não marcou data para apreciação da denúncia.