Desde 15 de maio as distribuidoras de combustíveis passaram a praticar repasses maiores aos postos, elevando os preços da gasolina entre R$ 0,15 e R$ 0,20 por litro e do diesel entre R$ 0,10 e R$ 0,15 por litro, segundo levantamento da Associação Núcleo Postos Ribeirão Preto e Região.
O movimento ocorreu mesmo sem um reajuste oficial anunciado pela Petrobras e, na avaliação da entidade, pode ter novas oscilações no curto prazo. Especialistas apontam a alta do petróleo no mercado internacional como uma das principais causas: na segunda-feira, 19 de maio, o barril Brent alcançou US$ 112, pressionando os custos de importação.
Dados da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), divulgados em 20 de maio, mostraram defasagens relevantes entre os preços domésticos e o mercado externo, entre R$ 1,44 e R$ 1,76 por litro no diesel e entre R$ 1,98 e R$ 2,22 por litro na gasolina. A expectativa em relação ao subsídio federal anunciado para a gasolina, de R$ 0,89 por litro, é a de que ele possa mitigar parte dos impactos e evitar um aumento oficial, conforme relatado pela associação de postos.
A alta da gasolina já tem levado consumidores a migrar para o etanol, elevando também a demanda, e o preço, do combustível vegetal. O índice Esalq/USP registrou aumento médio de R$ 0,05 por litro no etanol na última semana, interrompendo a tendência de queda verificada no início da safra 2026. Além da pressão da procura, custos logísticos influenciam os preços: a cadeia de transporte do etanol depende de diesel, o que contribui para o efeito em cascata.
Economistas ouvidos afirmam que o reajuste dos combustíveis amplia a pressão inflacionária e encarece a cadeia de distribuição, prejudicando comércio e serviços. Para motoristas que trabalham por aplicativo e para famílias que já ajustam o orçamento, o reflexo foi imediato: redução da margem de lucro para profissionais do transporte e aumento das despesas mensais para estudantes e consumidores.
A Associação Núcleo Postos Ribeirão Preto e Região recomenda que consumidores pesquisem preços e abasteçam em estabelecimentos de confiança, lembrando ainda a regra prática de paridade entre gasolina e etanol: quando o litro do etanol custa até 70% do preço da gasolina, abastecer com etanol tende a ser mais vantajoso.