Uma empresária de Barretos foi vítima de um golpe telefônico que resultou na perda de R$115 mil após golpistas se passarem por funcionários de banco e convencê-la a fazer transferências via Pix. Segundo o registro policial, a fraude começou um dia após a vítima clicar em um link falso enviado por SMS sobre o resgate de pontos de milhas. Em seguida, um homem ligou dizendo ser do banco e informou supostas transações não reconhecidas. Ao negar os movimentos, ela foi encaminhada a uma pessoa que se apresentou como gerente geral e orientou as ações seguintes.
Durante cerca de duas horas de conversa, a falsa gerente enviou um documento que parecia ser um boletim de ocorrência, com logotipo do banco e dados formatados, e chegou a pedir o espelhamento da tela do celular. A vítima relatou que os golpistas controlaram remotamente o aparelho, alteraram limites da conta, simularam compras e tentaram resgatar aplicações. Também foram mostradas notificações com o sufixo ".gov" para dar aparência de legitimidade.
O delegado responsável pelas investigações confirmou à polícia que o boletim enviado era falso e alertou para detalhes que denunciam a fraude: o documento trazia o nome do banco, e não da vítima, e não seguia o padrão oficial da Polícia Civil de São Paulo — que exige duas letras e quatro números. As autoridades ressaltaram que bancos não geram boletins de ocorrência em nome do cliente e que, em geral, o registro deve ser feito pela própria pessoa na delegacia ou pela Delegacia Eletrônica.
A ação só foi interrompida quando uma amiga da empresária pediu que ela contatasse o gerente verdadeiro, que recomendou desligar o telefone e procurar a polícia. Na agência, foi orientado que o aparelho fosse formatado para derrubar o acesso dos criminosos. Do total subtraído, R$115 mil foram reconhecidos pela vítima como irrecuperáveis por terem sido transferidos por Pix sob orientação dos golpistas; outro montante, segundo ela, pode ser revertido em parte.
Investigadores e a Polícia Civil reforçaram recomendações para evitar esse tipo de golpe: não clicar em links suspeitos, não aceitar chamadas ou compartilhar a tela com quem se apresenta por telefone, desconfiar de documentos supostamente enviados por terceiros e confirmar sempre em atendimento presencial ou pelos canais oficiais da instituição. Em caso de dúvida, a orientação é registrar a ocorrência presencialmente na delegacia mais próxima ou consultar o protocolo na página oficial da Polícia Civil de São Paulo.