Um projeto cultural inédito no sistema prisional paulista começará a ser realizado no CPP (Centro de Progressão Provisória) de Jardinópolis a partir de junho de 2026. Batizado de Festival Claraboia, A liberdade poética do cárcere, o evento foi aprovado pelo ProAC e é promovido pela Albarn Cultural com apoio da FUNAP e da Polícia Penal de São Paulo.
A iniciativa vai oferecer, ao longo dos próximos meses, uma programação de formações artísticas, apresentações ao vivo e uma exposição com obras produzidas pelos participantes. As oficinas terão turmas mensais e seguirão até janeiro de 2027, contemplando cursos como Pintura e Experimentações Estéticas, Mosaico Contemporâneo, Iniciação ao Desenho e Design de Iluminação. As atividades serão realizadas no período da manhã, em encontros semanais de cerca de três horas e com limite de até 15 inscritos por turma.
Além das ações formativas, o festival organizará a exposição “Artistas Invisíveis”, que reunirá trabalhos realizados durante as oficinas. A mostra será aberta inicialmente aos familiares em dias de visita no CPP e depois será transferida para um espaço cultural público, permitindo que a produção desenvolvida dentro da unidade alcance o público externo.
A programação também inclui apresentações de música popular brasileira, viola caipira, teatro, circo e intervenções de grafite, com o objetivo de diversificar as linguagens artísticas oferecidas aos internos. Haverá ainda ciclos de debates sobre arte, cidadania e justiça social, aproximando reflexões acadêmicas e comunitárias ao tema da reintegração social.
Responsáveis pelo projeto destacam que as atividades buscam ampliar a autoestima, oferecer formação técnica e criar vínculos entre a unidade e educadores-artistas da região, contribuindo para reduzir estigmas e promover novas oportunidades aos participantes.
O festival seguirá em programação até março de 2027, com foco inicial na população privada de liberdade do CPP de Jardinópolis que abriga mais de 1,4 mil pessoas em regime semiaberto e envolverá também familiares, profissionais do sistema penal e, posteriormente, o público geral por meio da circulação das obras.