EUA classificam PCC e CV como organizações terroristas; Brasil rejeita decisão

No documento, Washington afirma que as facções cometeram ou se prepararam para atos que representam risco à segurança de cidadãos e interesses norte-americanos

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Nando Medeiros
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EUA classificam PCC e CV como organizações terroristas; Brasil rejeita decisão
Getty Images

O governo dos Estados Unidos oficializou a inclusão do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) na lista de organizações terroristas. O ato foi publicado no Federal Register e assinado por Marco Rubio, secretário do Departamento de Estado, após anúncio prévio feito por ele nas redes sociais na semana anterior.

No documento, Washington afirma que as facções cometeram ou se prepararam para atos que representam risco à segurança de cidadãos e interesses norte-americanos, justificando a nova classificação. Entre as medidas previstas estão a criminalização de qualquer apoio às organizações, bloqueio de recursos financeiros, proibição de entrada de membros nos EUA e possibilidade de expulsão de quem já esteja no país. Instituições financeiras americanas também deverão congelar e reportar ativos vinculados aos grupos.

A decisão ocorre após um processo interno do Departamento de Estado iniciado no ano anterior e veio na mesma semana em que o senador Flávio Bolsonaro esteve em Washington, onde teve encontros com autoridades, entre elas o presidente e o próprio Rubio. O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva vinha tentando evitar a designação por temer impacto nas relações bilaterais e interferência nas disputas políticas brasileiras.

Em nota oficial, o Executivo brasileiro reafirmou que trata PCC e CV como organizações criminosas responsáveis por violência e tráfico em áreas dominadas pelo crime, e classificou como inapropriada a politização do tema por agentes ou aliados que buscam influenciar decisões externas. A declaração do governo também criticou intervenções de atores que, segundo o texto, tentam instrumentalizar a segurança pública para fins políticos.

Representantes do Departamento de Estado informaram que a medida foi tomada pelo presidente dos EUA e sustentaram haver presença de integrantes dessas facções em diversos estados americanos, citando publicamente Nova York, Nova Jersey, Massachusetts, Flórida e Tennessee, entre outros, totalizando atuação em cerca de 12 unidades federativas dos EUA.

A nova designação deve alterar a forma como autoridades norte-americanas e instituições financeiras lidam com membros e colaboradores das duas organizações, além de intensificar os mecanismos de cooperação e vigilância entre os países envolvidos.