As famílias das vítimas do desabamento na gruta Duas Bocas, em Altinópolis, continuam tentando receber a reparação fixada pela Justiça após a tragédia. Em decisão de maio de 2023, o responsável pela escola Real Life, que fazia o treinamento no local, foi condenado a pagar R$ 50 mil para cada núcleo familiar.
O principal impasse está em uma apólice de seguro mencionada logo após o acidente. Segundo a defesa das famílias, o documento não foi localizado pela seguradora e a pessoa que teria feito a contratação, Celso Galina Júnior, morreu no desabamento. Para o advogado David Lucas de Oliveira, essa ausência trava o pagamento e mantém as vítimas sem a compensação definida no processo.
A seguradora contesta que tenha havido contratação formal do seguro, enquanto a acusação afirma que há registros e até áudios de Celso falando sobre a apólice. Do outro lado, a defesa de Sebastião Francisco de Abreu Neto sustenta que ele ficou sem condições financeiras depois do acidente, encerrou as atividades e hoje não teria como arcar com os valores determinados pela Justiça.
Além da indenização às famílias, o processo também aponta uma dívida de R$ 3,5 mil referente a custas judiciais, que deve ser inscrita na Fazenda Estadual.
O desabamento do teto de arenito ocorreu na madrugada de 31 de outubro e deixou dez pessoas presas na gruta. Nove morreram: Celso Galina Júnior, Jenifer Caroline da Silva, José Cândido Messias da Silva, Elaine Cristina de Carvalho, Rodrigo Triffoni Calegari, Jonatas Ítalo Lopes, Débora Silva Ferreira, Ana Carla Costa Rodrigues de Barros e Natan de Souza Martins.