Justiça condena 20 por quadrilha que misturava tráfico e comércio de carros de luxo em Ribeirão Preto

De acordo com o processo, parte da receita do tráfico era destinada à aquisição de carros de luxo, muitos negociados pela internet e avaliados entre R$ 800 mil e R$ 1 milhão

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Nando Medeiros
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Justiça condena 20 por quadrilha que misturava tráfico e comércio de carros de luxo em Ribeirão Preto

A Justiça condenou 20 integrantes de uma organização criminosa que, segundo a Polícia Federal, operou em Ribeirão Preto entre 2019 e 2023 combinando tráfico de cocaína adulterada com lavagem de dinheiro por meio de compra e venda de veículos de alto padrão. A investigação apontou que o grupo adulterava a droga com cafeína para aumentar o volume e o lucro, que a PF estima em cerca de R$ 60 milhões no período apurado.

De acordo com o processo, parte da receita do tráfico era destinada à aquisição de carros de luxo, muitos negociados pela internet e avaliados entre R$ 800 mil e R$ 1 milhão e depois reutilizada para mascarar as movimentações financeiras. Há indícios também de adulteração da quilometragem para valorizar os veículos. Em 2021, um dos apontados como financiador, Nevanir de Souza Neto, teria movimentado mais de R$ 21 milhões, apesar de receber salário declarado de R$ 2,4 mil na empresa do sogro.

O Ministério Público e a PF identificaram Allan Tadashi como líder do esquema; ele chegou a manter anotações que, segundo os investigadores, registravam valores ligados ao tráfico. Na decisão judicial, Allan foi condenado a 34 anos e quatro meses de prisão. Nevanir recebeu pena de 21 anos, quatro meses e 20 dias; está em liberdade e sua defesa informou que irá recorrer. Outros 18 réus também foram condenados, com sentenças que chegam a 34 anos.

O delegado Marcellus Henrique de Araújo classifica a operação como abrangente, alcançando desde a distribuição nas periferias até a estrutura financeira que sustentava o grupo. A investigação e a condenação representam desarticulação de uma cadeia que unia adulteração da droga, comércio de veículos e práticas de ocultação de bens e recursos.