A Justiça de Ribeirão Preto determinou a transferência de parte das ações que o Botafogo Futebol Clube detinha na Botafogo Futebol SA, decisão publicada em 2 de fevereiro de 2026, informou a 10ª Vara Cível. A medida decorreu do cumprimento de uma sentença que reconheceu dívida relativa ao projeto Botafogo Academy, realizado no Centro de Treinamento do antigo Olé Brasil.
Como o clube não apresentou bens suficientes para saldar o débito, o juízo autorizou a penhora das cotas do clube na SAF. Aproveitando o direito de preferência, a Trexx Sports, empresa ligada ao investidor Adalberto Baptista, depositou em juízo R$ 966.231,97, valor atualizado do crédito, e acabou adjudicando 966.232 cotas da companhia. A juíza Rebeca Mendes Batista também determinou o envio de ofício à Junta Comercial para formalizar a transferência das ações.
O Botafogo apresentou embargos à adjudicação, alegando irregularidades e excesso no valor cobrado, mas o pedido não foi analisado no mérito pela magistrada. Segundo a decisão, esse tipo de recurso deixou de existir com o Código de Processo Civil de 2015 e eventual impugnação deve ser proposta por outro tipo de ação; o clube foi ainda criticado por repetir argumentos já examinados, situação qualificada como litigância de má-fé.
Com a operação, a Trexx passou a deter a maioria das cotas da Botafogo Futebol SA e assumiu o controle da SAF. O Botafogo Futebol Clube permanece como acionista, porém sem condição de definição majoritária nas decisões da companhia.
Em nota, o clube afirmou que a origem do processo está ligada a passivo do Instituto Botafogo Social e que a decisão ainda não transitou em julgado, havendo recurso pendente. O Botafogo disse que pretende recorrer novamente e que o crédito da Border Intermediações integra o Regime Centralizado de Execuções (RCE) do clube, argumentando que essa adjudicação isolada não tornaria o clube minoritário diante do conjunto de processos em curso.