Pacientes enfrentaram espera por dias em hospitais de Ribeirão Preto enquanto urgência da Beneficência seguia suspensa

Familiares descrevem casos de pacientes mantidos em ambulâncias e em salas com diversas pessoas à espera de vaga

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Nando Medeiros
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Pacientes enfrentaram espera por dias em hospitais de Ribeirão Preto enquanto urgência da Beneficência seguia suspensa

Moradores relataram longas esperas por leitos e procedimentos em Ribeirão Preto entre os dias 9 e 13 de fevereiro, período em que a emergência do Hospital Beneficência Portuguesa permanecia proibida de receber pacientes por decisão judicial. Familiares descrevem casos de pacientes mantidos em ambulâncias e em salas com diversas pessoas à espera de vaga. Uma mãe disse ter ficado com a filha em uma sala de atendimento entre os dias 10 e 13 até conseguir transferência; outra relatou que a jovem de 16 anos, com apendicite, só foi encaminhada à cirurgia no dia 13, após dias de crise de dor.

A suspensão das transferências à Beneficência foi determinada no fim de janeiro, após ação civil do Ministério Público que apontou problemas estruturais e de pessoal, entre eles, falta de enfermeiros, superlotação e distinção de atendimento entre convênios e SUS em condições inferiores. A interdição vale até que as irregularidades sejam sanadas.

A Santa Casa confirmou sobrecarga e exaustão da equipe, informando que absorveu a maior parte dos casos graves deixados pela inatividade da Beneficência e registrou aumento de cerca de 30% nos atendimentos em dez dias. A entidade afirmou que a entrada de pacientes na emergência depende da rotatividade de leitos e de transferências internas.

A Prefeitura de Ribeirão Preto disse ter adotado medidas para reorganizar o sistema de saúde diante do impacto judicial: readequação de espaço no NGA para uma Unidade de Retorno Assistencial, abertura de leitos no Hospital Francisco de Assis e negociação para compra de serviços em hospitais privados. Em nota enviada no início da noite do dia 13, o município informou que a Justiça autorizou a retomada provisória dos atendimentos no espaço alternativo da Beneficência, com aval do Ministério Público e da Vigilância Sanitária, enquanto a área original segue em reforma.

Já a direção do Hospital Beneficência Portuguesa afirmou que cumpriu exigências do Ministério Público relativas à estrutura física e ao corpo clínico e que aguardava o aval dos órgãos de fiscalização para voltar a atender pelo SUS. A situação durante a semana expôs a pressão sobre a rede pública e os riscos à população enquanto a regularização do serviço ainda era finalizada.