O rendimento médio real domiciliar per capita no Brasil alcançou R$ 2.264 em 2025, um aumento de 6,9% sobre 2024, segundo dados da Pnad Contínua divulgados pelo IBGE em 8 de maio. Apesar do avanço generalizado, a desigualdade voltou a crescer levemente no ano passado, influenciada por ganhos mais expressivos entre os mais ricos.
Os 10% mais pobres viram a renda per capita subir 3,1% em 2025 ante 2024, chegando a R$ 268 mensais (ou R$ 8,93 por dia), enquanto os 10% com maior renda registraram alta de 8,7%, para R$ 9.117 por pessoa. Na parcela mais alta da pirâmide, o 1% mais rico teve rendimento per capita de R$ 24.973, aumento de 9,9% em relação a 2024.
Em relação a 2019, houve crescimento da renda em todos os estratos, com destaque para os mais vulneráveis: os 10% de menor renda tiveram acréscimo de 78,7% no período, ao passo que os 10% mais ricos cresceram 11,9%. Ainda assim, o índice de Gini subiu de 0,504 em 2024 para 0,511 em 2025, indicando maior concentração de renda do que no ano anterior, embora abaixo dos patamares de 2019 (0,543). Em 2025, os 10% mais ricos receberam, em média, 13,8 vezes o rendimento dos 40% mais pobres e concentraram 40,3% da massa total de rendimentos, contra 32,8% dos 70% mais pobres somados.
A massa de rendimento médio mensal real domiciliar per capita atingiu R$ 481,4 bilhões em 2025, alta de 7,3% sobre 2024. O mercado de trabalho aquecido contribuiu para um recorde de 143 milhões de pessoas com alguma fonte de renda no ano passado, o equivalente a 67,2% da população. A população com rendimento habitual do trabalho chegou a 101,6 milhões; aposentados e pensionistas somaram 29,3 milhões; e beneficiários de programas sociais totalizaram 19,4 milhões.
Entre os rendimentos por fonte, o valor médio de aposentadorias e pensões foi o mais alto (R$ 2.697); renda de aluguel/arrendamento ficou em R$ 2.526 (alta de 11,8% ante 2024); programas sociais registraram média de R$ 870; pensões alimentícias e mesadas, R$ 863; e outros rendimentos (incluindo aplicações financeiras e seguro‑desemprego), R$ 2.302. Considerando apenas quem recebeu alguma renda, o rendimento médio de todas as fontes foi de R$ 3.367 em 2025, 5,4% acima do ano anterior. O rendimento médio habitual do trabalho alcançou R$ 3.560, outro recorde.
A participação dos programas sociais no rendimento domiciliar per capita recuou de 3,8% em 2024 para 3,5% em 2025. A proporção de domicílios com beneficiário do Bolsa Família caiu de 18,6% para 17,2%, enquanto a fatia de lares com beneficiário do BPC‑LOAS subiu de 5,0% para 5,3% — o maior percentual desde o início da série em 2012. O IBGE lembra ainda que, em 2025, domicílios com Bolsa Família tinham rendimento médio de R$ 774, valor inferior a 30% do rendimento médio observado nos domicílios não beneficiados (R$ 2.682).
Os números colocam em evidência um cenário de expansão de renda em termos absolutos, mas também a persistência da concentração de riqueza, tema relevante para políticas sociais e mercado de trabalho em municípios como Ribeirão Preto e na região.