Trio é processado por suposto esquema que deixou mais de 600 investidores de Ribeirão Preto no prejuízo

Na denúncia, o MPF afirma que, mesmo após rompimento societário entre os sócios, as duas empresas mantiveram relações operacionais

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Nando Medeiros
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Trio é processado por suposto esquema que deixou mais de 600 investidores de Ribeirão Preto no prejuízo

A Justiça Federal tornou réus três empresários acusados de lesar clientes de corretoras em Ribeirão Preto após investigação do Ministério Público Federal e da Polícia Federal. Segundo a denúncia, mais de 600 pessoas aplicaram recursos na Mercatore e na Meca, corretoras ligadas a Breno Pignata, Felipe Rassi e Edilson Games, e foram impedidas de resgatar parte ou a totalidade dos valores investidos.

De acordo com o MPF, entre julho de 2018 e novembro de 2021 foram registradas ao menos 527 operações sem observância dos contratos com clientes. Parte do capital teria sido direcionada a empresas ligadas aos denunciados e a aplicações de alto risco na bolsa, que teriam resultado em um prejuízo estimado em R$ 16,1 milhões. A ação também aponta promessa de rentabilidades elevadas, oferta de um “fundo garantidor próprio” e tentativas de impedir resgates.

Clientes entrevistados por afiliada local disseram ter perdido valores expressivos. Um investidor relatou aporte de R$ 600 mil, que, corrigido, ele estima hoje em mais de R$ 1,2 milhão, e afirmou ter conseguido resgatar apenas rendimentos iniciais; posteriormente, ao pedir novos saques, encontrou o escritório fechado. Outra investidora relatou prejuízo de R$ 300 mil e disse que os representantes das corretoras agiam de forma articulada para transmitir confiança.

Na denúncia, o MPF afirma que, mesmo após rompimento societário entre os sócios, as duas empresas mantiveram relações operacionais. A Procuradoria acusou os três de atuar como assessores de investimento sem autorização, de gestão temerária, apropriação indébita e formação de associação criminosa.

Em decisão proferida em janeiro, a juíza federal Milenna Marjorie Fonseca da Cunha recebeu a denúncia e tornou Pignata, Rassi e Games réus pelos crimes citados. Procurado pela reportagem, Felipe Rassi afirmou ter sido também vítima da Mercatore. O advogado de Edilson Games informou que enviaria posicionamento, mas não se manifestou até a publicação. A reportagem não conseguiu contato com Breno Pignata.

O processo seguirá na Justiça Federal e poderá detalhar agora as provas e as medidas cabíveis para apurar responsabilidades e eventuais ressarcimentos aos investidores.