Um aluno de 15 anos do Sesi Jardim Castelo Branco, em Ribeirão Preto, criou um sistema de coleta para destinar corretamente o papel protetor, conhecido como liner que vem no verso de figurinhas colecionáveis e não é aceito pelas cooperativas tradicionais. O projeto, batizado de "Recicla Liner", surgiu após o estudante constatar que a película com camada de silicone inviabiliza a reciclagem convencional e faz com que toneladas desse resíduo acabem em aterros.
O jovem, do 2º ano do Ensino Médio, projetou e montou urnas de recolhimento aproveitando o laboratório de fabricação digital da escola. As caixas, feitas com material reciclado e produzidas com auxílio de cortes a laser, foram posicionadas em áreas de convivência para facilitar o descarte logo após a abertura dos pacotes de figurinhas.
O material reunido na escola passou a ser encaminhado a uma recicladora em Guarulhos que dispõe de tecnologia capaz de separar o silicone da fibra de celulose, tornando possível o retorno do papel à cadeia produtiva. O proprietário da empresa explicou que o processo elimina a afinidade do silicone com a fibra, permitindo a reutilização segura do insumo.
Como projeto-piloto, a iniciativa também inclui ações educativas para alertar alunos sobre a necessidade de destinar o liner de forma específica, evitando o descarte em lixeiras comuns ou na via pública. A expectativa é ampliar o modelo para outras unidades escolares da rede, caso o volume coletado justifique a negociação de logística com a recicladora.
Professores e técnicos do Sesi destacaram o caráter pedagógico da ação, que combina aprendizado prático em tecnologia com conscientização ambiental. Para o idealizador, a experiência representa uma contribuição concreta à sustentabilidade e um estímulo para que colegas adotem hábitos de descarte mais responsáveis.