Ribeirão Preto contabilizou 728 casos confirmados de hepatite A entre 1º de janeiro e 13 de maio de 2026, segundo dados da Secretaria Municipal de Saúde, um aumento expressivo frente aos 65 casos registrados em todo o período de 2015 a 2025. O crescimento é ainda mais marcado quando comparado aos anos mais recentes: seis casos em 2023, cinco em 2024 e 14 em 2025. Considerando 2025 e os registros até maio de 2026, o acréscimo chega a milhares por cento.
A hepatite A é uma infecção viral que atinge o fígado e costuma provocar sintomas como febre, cansaço, mal-estar, náuseas, vômitos, dor e perda de apetite, icterícia (pele e olhos amarelados), urina escura e fezes de cor clara. A principal via de transmissão apontada por especialistas é a fecal-oral, por ingestão de água ou alimentos contaminados e por contato próximo com pessoas infectadas; em alguns surtos recentes também há relatos de transmissão em contato íntimo.
Profissionais da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP-USP) frisam que a vacinação é a medida mais eficaz de prevenção, acompanhada por práticas básicas de higiene, lavar as mãos, consumir água tratada e evitar alimentos crus ou mal higienizados. Não existe tratamento antiviral específico para a hepatite A: o manejo é de suporte, com hidratação, repouso e acompanhamento clínico; a maioria evolui para cura espontânea, mas grupos como adultos, imunossuprimidos e pessoas com doenças hepáticas podem ter desfechos mais graves.
A Vigilância Epidemiológica municipal vem investigando os casos e confirmou presença de transmissão comunitária, sobretudo pela via fecal-oral. A subsecretária de Vigilância em Saúde informou que as ações adotadas pela Prefeitura incluíram investigação individual dos casos, monitoramento contínuo, busca por surtos em escolas e coletivos, reuniões técnicas e campanhas de orientação à população e profissionais de saúde.
Segundo a subsecretária, o pico de notificações ocorreu na semana de 5 de abril, com 76 registros, seguido de queda gradual nas semanas subsequentes, sinalizando efeito das medidas de contenção. As autoridades recomendam vacinação para quem ainda não foi imunizado e reforçam cuidados de higiene para reduzir a circulação do vírus.