Casos investigados em navio reacendem alerta sobre hantavirose no interior de SP

O interior de São Paulo já registrou episódios da doença nos últimos anos, sobretudo em regiões rurais e agrícolas

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Nando Medeiros
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Casos investigados em navio reacendem alerta sobre hantavirose no interior de SP

Casos recentes de hantavirose investigados em um navio voltaram a colocar a doença na pauta das autoridades de saúde, embora especialistas reforcem que a ocorrência continua rara no Brasil. Em entrevista, a infectologista Silvia Nunes Szente Fonseca explicou que a maior preocupação são os poucos pacientes que evoluem para complicações respiratórias graves e precisam de internação em hospitais ou UTIs. Segundo a especialista, muitos quadros leves podem passar despercebidos por lembrarem viroses comuns.

O interior de São Paulo já registrou episódios da doença nos últimos anos, sobretudo em regiões rurais e agrícolas. Fatores como o aumento de populações de roedores silvestres, o desmatamento, a expansão urbana sobre áreas de mata e o armazenamento inadequado de alimentos e grãos são apontados como responsáveis pela maior exposição ao vírus.

A transmissão ocorre principalmente pela inalação de partículas contaminadas presentes na urina, fezes e saliva de roedores infectados. Ambientes fechados e pouco ventilados, como galpões, depósitos, paióis, celeiros e casas fechadas por longo período, oferecem maior risco. No caso do navio, uma hipótese é que passageiros tenham sido expostos ao mesmo espaço contaminado, o que explicaria infecções simultâneas.

Os primeiros sinais costumam ser semelhantes aos de uma gripe forte: febre alta, dores no corpo, cefaleia, cansaço intenso, náuseas e dor abdominal. Em alguns pacientes, a doença pode progredir rapidamente para falta de ar e insuficiência respiratória, exigindo atendimento médico imediato. A transmissão direta entre pessoas é considerada extremamente rara no país; registros de contágio interpessoal estão mais relacionados ao subtipo Andes, observado na Argentina e no Chile, e não correspondem ao padrão predominante no Brasil.

Para reduzir o risco, especialistas recomendam ventilar locais fechados antes de limpá‑los, usar máscara ao entrar em ambientes potencialmente contaminados, evitar acúmulo de lixo, armazenar alimentos e grãos corretamente, manter depósitos limpos e controlar roedores em áreas rurais e urbanas. Apesar do destaque dado aos casos investigados, o Ministério da Saúde mostra números relativamente baixos de confirmação, o que indica que a maior parte da população tem baixa probabilidade de contato com o vírus.