A NOAA (Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos EUA) confirmou que o fenômeno El Niño já está em curso e deve se intensificar até o final deste ano. A notícia foi divulgada no mesmo dia em que a Organização Meteorológica Mundial (OMM) reiterou que o episódio pode agravar secas, provocar chuvas intensas em áreas isoladas e elevar o risco de ondas de calor sobre terra e mar.
El Niño é um aquecimento anômalo da superfície do Pacífico equatorial central e oriental que altera ventos, pressão atmosférica e padrões de precipitação globalmente. Segundo as agências internacionais, mesmo um El Niño moderado tende a aumentar a probabilidade de eventos climáticos extremos. O ciclo anterior contribuiu para que 2023 e 2024 registrassem temperaturas históricas, com 2024 sendo o mais quente já medido em relação à média pré-industrial.
Para a nossa região, as autoridades e especialistas em clima recomendam atenção especial aos setores mais sensíveis: agricultura, gestão de recursos hídricos, energia e saúde. O aumento das temperaturas e a possibilidade de períodos prolongados de pouca chuva podem elevar o risco de perdas na safra, restrições no abastecimento de água e maior demanda por energia, ao mesmo tempo em que ondas de calor pressionam hospitais e sistemas de atendimento.
A OMM informou que, entre o final de abril e meados de maio, indicadores oceânicos e atmosféricos já demonstravam condições favoráveis ao desenvolvimento do El Niño. A tendência global apontada pelas previsões é de temperaturas acima do normal de junho a agosto, o que eleva a chance de intensificação das secas em algumas regiões e de eventos extremos em outras.
Autoridades locais devem ser acionadas para revisar planos de contingência: ampliar campanhas de uso racional da água, orientar produtores rurais sobre práticas de manejo e irrigação, e preparar serviços de saúde para atendimento a casos relacionados a calor extremo. Especialistas também lembram da importância de sistemas de alerta precoce para reduzirem impactos técnicos e sociais.
A confirmação do El Niño reforça, ainda, apelos de organismos internacionais por ações climáticas estruturais, como redução da dependência de combustíveis fósseis e investimentos em energias renováveis, medidas que, segundo a OMM, diminuem a vulnerabilidade aos efeitos amplificados pelo aquecimento global.
Moradores podem acompanhar atualizações e orientações das secretarias municipais e do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET). Produtores rurais interessados em informações técnicas devem procurar as cooperativas e a extensão rural para adotar práticas que minimizem perdas durante períodos de estiagem.