Audiência em Ribeirão Preto ouve testemunhas e réus no caso da menina Sophia

O avô da criança, José dos Santos, de 43 anos, e sua namorada, Karen Tamires Marques, de 32, respondem a indiciamento por homicídio triplamente qualificado e tortura

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Nando Medeiros
· 2 minutos de leitura
Audiência em Ribeirão Preto ouve testemunhas e réus no caso da menina Sophia

O juiz José Roberto Bernardi Liberal, da 2ª Vara Criminal e do Tribunal do Júri de Ribeirão Preto, conduziu a audiência de instrução do processo sobre a morte de Sophia Emanuelly de Souza, de 3 anos. A sessão realizada por videoconferência, ouviu testemunhas de acusação e defesa e promoveu o interrogatório dos dois réus. Caso nem todas as oitivas fossem concluídas no dia, o magistrado poderia designar nova data para continuidade dos atos.

O avô da criança, José dos Santos, de 43 anos, e sua namorada, Karen Tamires Marques, de 32, respondem a indiciamento por homicídio triplamente qualificado e tortura. O inquérito da Polícia Civil foi concluído e o Ministério Público de São Paulo denunciou o casal por feminicídio qualificado e tortura, pedindo que o caso seja submetido a julgamento pelo Tribunal do Júri. Após as manifestações do promotor e das defesas, o juiz poderá proferir a sentença de pronúncia, que decidirá se haverá júri popular.

Na audiência, os advogados de defesa apresentaram argumentos para afastar a imputação plena. O defensor de Karen anunciou que sustentará que a cliente não se encontrava em condições mentais normais em determinado momento e que isso deve ser considerado na avaliação da responsabilidade. A defesa de José afirmou que ele trabalhava em excesso e não teria percebido os sinais de agressão, sustentando ainda que declarações da própria companheira o eximiriam de participação direta.

Do lado do Ministério Público, o promotor Marcus Túlio Nicolino reiterou que as provas indicam tortura prolongada e defendeu a submissão do casal ao Tribunal do Júri por feminicídio qualificado e tortura. Segundo a acusação, a criança apresentava quadro de desnutrição severa, múltiplos hematomas e fraturas em diferentes fases de cicatrização, e foi asfixiada por estrangulamento na data dos fatos.

Relembre o caso: em 17 de fevereiro de 2026, Sophia deu entrada sem vida na UPA da avenida 13 de Maio. O avô a levou à unidade afirmando que ela havia passado mal. No apartamento da família, no Parque São Sebastião, a mulher admitiu ter estrangulado a menina e o casal foi preso em flagrante. Laudos do IML apontaram morte por asfixia mecânica e sinais de maus-tratos recorrentes. Investigações também registraram denúncia prévia de maus-tratos feita pela avó materna cerca de um ano antes, fato que motivou apuração sobre possível falha de comunicação entre Conselhos Tutelares de Itapetininga e de Ribeirão Preto.

O processo segue em tramitação; caso o juiz pronuncie os réus, defesa e promotor já anunciaram intenção de recorrer dependendo da decisão.