A troca de produção futura por insumos e máquinas, conhecida como barter, tem ganhado espaço entre produtores da região e se consolidado como complemento ao Plano Safra. Estimativas de especialistas apontam que entre 35% e 40% das negociações no mercado agrícola já utilizam esse formato, no qual o agricultor paga parte do valor com a safra futura, normalmente commodities como soja, milho, trigo ou açúcar, enquanto a indústria recebe em moeda corrente por meio de uma trading intermediária.
No modelo, a trading paga em dinheiro ao fornecedor e, em contrapartida, firma com o produtor um compromisso de entrega de sacas na colheita. Para viabilizar a operação, preço e quantidade costumam ser travados antecipadamente no mercado futuro, reduzindo a incerteza sobre custos e receita do agricultor. Esse mecanismo também permite à trading fazer hedge e administrar o risco financeiro da operação.
Representantes do setor afirmam que o barter tem sido especialmente procurado em um cenário de crédito mais apertado e juros elevados. Operadoras e fabricantes relataram aumento nas demandas por esse tipo de contrato e esperavam ampliação das operações durante a Agrishow 2026, que reúne fornecedores e produtores em Ribeirão Preto.
A análise de risco é ponto central da operação: a trading avalia histórico de produtividade, localização da fazenda, risco climático, pragas e o manejo adotado. Essa supervisão periódica busca garantir que o produto contratado seja efetivamente entregue na safra. Além disso, nem toda cultura serve para o barter, só entram na prática commodities com cotação pública e contratos futuros líquidos.
A alternativa, segundo especialistas em agronegócio, reduz a exposição do produtor à volatilidade do crédito e da inflação, porque elimina a necessidade de tomada prévia de dinheiro junto a bancos e a posterior venda da produção para quitar dívidas. Para fornecedores de máquinas, o barter amplia a base de clientes em um momento de menor disponibilidade de financiamento tradicional.